Belo Horizonte – O tio da capitã da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) Michele Leão Azevedo, de 41 anos, afirmou nesta quarta-feira (22/7) que o 3º sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, preso por suspeita de matar a esposa, “sempre foi muito agressivo” com a policial. A declaração foi dada durante o velório da vítima, realizado na Capela da Funerária Dom Bosco, no bairro Lagoinha, em Belo Horizonte.
Segundo Marlon de Carvalho Leão, tio materno de Michele, a família conhecia o comportamento agressivo do sargento ao longo dos cerca de oito anos de relacionamento do casal. “Várias vezes ele sempre foi muito agressivo com ela. A mãe [da capitã] passou por momentos muito difíceis com ele”. afirmou.
5 imagensFechar modal.1 de 5Capitã da Polícia Militar de MG Michele Leão AzevedoPMMG/Reprodução2 de 5Sargento leva companheira desacordadaCâmera de segurança/reprodução3 de 5Sargento leva companheira, capitã da PM, desacordadaCâmera de segurança/reprodução4 de 53º sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, da PMMGReprodução/redes sociais5 de 5A capitã chegou morta ao hospitalReprodução/PMMG
Emocionado, Marlon descreveu Michele como uma pessoa alegre, solidária e muito querida pela família. “Perder uma pessoa como ela, uma menina alegre, sempre de bem com a vida, sempre querendo ajudar as pessoas, traz um trauma tremendo para a família”. lamentou.
A versão, porém, passou a ser contestada ainda na unidade de saúde.
Os médicos constataram que Michele já havia morrido entre quatro e seis horas antes de chegar ao hospital. Além do traumatismo craniano, ela apresentava diversas lesões pelo corpo, incluindo marcas compatíveis com chicotadas e um ferimento considerado grave na face.
Durante coletiva de imprensa, a Polícia Civil informou que a quantidade e a gravidade das lesões eram incompatíveis, em um primeiro momento, com a versão apresentada pelo sargento. O delegado Saulo Castro afirmou que uma “lesão muito contundente na face” chamou a atenção da equipe responsável pela investigação.
Outro elemento que agravou a situação do militar ocorreu dentro do Hospital Odilon Behrens. Policiais militares flagraram Eduardo Abner tentando descartar uma caixa com 18 comprimidos de ecstasy em uma lixeira do banheiro da unidade. A droga foi apreendida, e ele também passou a responder por tráfico de drogas.
Histórico de violência
Além da dinâmica da morte, a Polícia Civil investiga o histórico do relacionamento entre Michele e Eduardo.
A mãe da capitã contou aos investigadores que a filha vivia um relacionamento abusivo, marcado por humilhações, controle e manipulação emocional. Segundo ela, Michele tentava colocar fim ao casamento, mas o sargento não aceitava a separação.
Testemunhas também relataram à polícia um relacionamento marcado por idas e vindas e episódios de violência psicológica e moral.
As declarações do tio durante o velório reforçam essa linha de investigação. Segundo Marlon, a família já tinha conhecimento do comportamento agressivo do militar antes da morte da capitã.





