"Nós precisamos exportar filme brasileiro para dentro do Brasil", afirmou.
Segundo ele, mais importante do que buscar espaço no exterior era criar condições para que as produções nacionais chegassem ao público brasileiro.
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Ao lembrar o período em que o cinema nacional alcançou recordes de público e chegou a representar cerca de 42% do mercado, Barreto atribuiu o desempenho a uma estratégia de fortalecimento da produção brasileira. "Foi fruto de uma política", afirmou.
Ele citou ainda produções como Dona Flor e Seus Dois Maridos, dirigido por Bruno Barreto, e afirmou que a indústria audiovisual deve ser capaz de produzir tanto grandes sucessos de bilheteria quanto filmes de médio porte. Segundo ele, essas obras são fundamentais para renovar a linguagem cinematográfica, ampliar a diversidade da produção e conquistar novos públicos.
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Ditadura
Barreto também relembrou o período da ditadura militar e contestou a ideia de que houve uma única política cultural ao longo dos mais de 20 anos do regime. Segundo ele, diferentes governos adotaram posturas distintas em relação ao cinema, o que permitiu momentos de maior apoio à produção audiovisual brasileira.
Em outro momento da entrevista, o produtor avaliou a situação do setor nos anos mais recentes. Ao comentar a paralisação da Agência Nacional do Cinema (Ancine) e as dificuldades enfrentadas pelo audiovisual, afirmou que o enfraquecimento dos mecanismos de incentivo começou antes mesmo do governo Bolsonaro, embora tenha criticado o projeto que, segundo ele, buscava desmontar a produção cultural brasileira.
Com uma trajetória que atravessou décadas do cinema nacional, Luiz Carlos Barreto produziu alguns dos filmes mais importantes da história do país e ajudou a consolidar uma geração responsável por projetar a produção brasileira dentro e fora do Brasil. Na entrevista ao Conversa com Bial, deixou também um diagnóstico sobre os rumos da indústria que ajudou a construir.





