O governo dos Estados Unidos deve anunciar, nesta quarta-feira (15/7), a decisão sobre a aplicação de um novo tarifaço sobre exportações brasileiras, com base na investigação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que apura práticas consideradas desleais.
O Executivo brasileiro avalia que a medida tem motivação política e pode representar uma tentativa de ingerência no cenário interno, às vésperas da eleição presidencial.
Desde a divulgação, em junho, do resultado da investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, o Palácio do Planalto sustenta que os argumentos apresentados carecem de base técnica. A avaliação é que, já que os EUA mantêm superávit na relação comercial com o Brasil, a iniciativa tem viés político.
Segundo fontes do governo, quando os Estados Unidos anunciaram o primeiro tarifaço contra o Brasil, no ano passado, o objetivo já seria influenciar o processo eleitoral.
À época, o presidente Donald Trump associou a medida ao que chamou de “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF), antes de sua condenação a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar a trama golpista após as eleições de 2022.
Em fevereiro deste ano, a Suprema Corte dos EUA derrubou parte das tarifas então em vigor, ao considerá-las ilegais, o que enfraqueceu a estratégia comercial da gestão Trump. Ainda assim, a investigação do USTR — que inclui, entre outros pontos, o sistema de pagamentos Pix — já estava em curso desde julho de 2025.
Em junho, o USTR apresentou a proposta de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, sob o argumento de compensar “atos, políticas e práticas incoerentes” do país que, segundo o órgão, “oneram ou restringem” o comércio norte-americano.
A iniciativa decorre de uma investigação que analisou temas como comércio digital e serviços de pagamento eletrônico — com destaque para o Pix —, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e o desmatamento ilegal no Brasil.
Em paralelo, o governo dos EUA também sugeriu uma sobretaxa de 12,5% no âmbito de uma apuração comercial relacionada ao trabalho escravo.
A medida alcança ainda outros 59 países, sob a alegação de “falha em impor e aplicar efetivamente uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado”.
Taxação é dada como certa
O governo brasileiro trabalha com a expectativa de implementação do tarifaço, restando definir o alcance da medida, tanto em relação às alíquotas quanto aos produtos afetados.
Ainda assim, o Planalto considera cenários alternativos. Um deles seria a suspensão temporária das tarifas, sob a justificativa de ampliar o prazo para negociação entre os dois países. A hipótese é vista como improvável, embora fosse positiva para o governo brasileiro.
Outro cenário, considerado remoto, mas não impossível, seria o adiamento da medida em um gesto político a Flávio Bolsonaro. A imprevisibilidade da administração Trump e a atuação de setores ideológicos dentro do Departamento de Estado são apontadas como fatores que podem influenciar a decisão.
Em qualquer hipótese, o governo brasileiro agora avalia como reagir. A orientação do presidente Lula é manter as negociações até o limite.
Na tarde de terça-feira (14/7), representantes dos ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), das Relações Exteriores (MRE) e da Assessoria Especial da Presidência realizaram a quinta reunião de alto nível com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer.
Na ocasião, o Brasil reiterou o que classifica como “caráter injusto” das medidas em discussão, tanto no caso da possível sobretaxa de 25% derivada da investigação da Seção 301 quanto da tarifa adicional de 12,5% ligada à apuração sobre trabalho forçado, que atinge outras 59 economias.





