Família suspeita de desviar doações para vítimas das enchentes no RS é presa no ES e em MG
Três irmãos e a esposa de um deles, suspeitos de criar um site falso para arrecadar doações destinadas às vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024, podem ter movimentado mais de R$ 18 milhões com o esquema, segundo informações divulgadas pela Polícia Civil do Espírito Santo, nesta segunda-feira (29).
A investigação apontou que a atuação do grupo ocorreu também após retirarada do site do ar, quando os suspeitos passaram a aplicar golpes de falso empréstimo usando os dados das pessoas que haviam acessado a página para fazer doações. Vítimas já foram identificadas em pelo menos cinco estados brasileiros.
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As prisões aconteceram na sexta-feira (26), durante a Operação Falsa Esperança, em Vila Velha, na Grande Vitória, e em Muriaé, Minas Gerais.
O grupo morava em Piúma, no Sul do Espírito Santo, e estava foragido desde maio, quando a Justiça decretou a prisão preventiva.
Diego Leite de Sousa, de 31 anos, apontado como líder do grupo, foi preso em um apartamento no Jockey, em Vila Velha.
"As vítimas acessavam os links disponibilizados na página e eram direcionadas para um número de telefone controlado pelos criminosos. A partir desse contato, os investigados obtinham dados sensíveis, como CPF e imagens de documentos pessoais, utilizando essas informações para aplicar novos golpes".
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Segundo a polícia, o esquema tinha atuação nacional e fez vítimas em pelo menos cinco estados. Os valores desviados ainda estão sendo contabilizados, mas as análises financeiras apontaram movimentações milionárias.
"O apontado como líder da organização realizou movimentações financeiras por intermédio de uma pessoa jurídica que transacionou com mais de 40 pessoas e apresentou movimentação atípica superior a R$ 18 milhões durante o período investigado, entre 2024 e o presente momento", informou o delegado.
Padrão de vida chamou atenção
As investigações também apontaram que os suspeitos mantinham um padrão de vida incompatível com a renda declarada.
"No momento das prisões, eles afirmaram que não estavam trabalhando. Entretanto, residiam em imóveis de padrão elevado, mobiliados com bons equipamentos e eletrônicos, além de possuírem veículo de luxo, situação incompatível com a ausência de atividade profissional, indicando que viviam, muito provavelmente, dos valores obtidas com os golpes”.
Segundo o delegado, os investigados já respondem a outra ação penal por crimes patrimoniais praticados pela internet.
"Esse grupo criminoso não é novo nesse tipo de delito. Eles já respondem a uma ação penal anterior por fatos semelhantes ocorridos em Piúma. Na investigação anterior também foi identificada a participação dos pais dos irmãos investigados", disse Toscano.
Quatro pessoas da mesma família foram presas, elas são investigadas por criar uma falsa campanha de arrecadação de doações para vítimas de enchente na internet e, depois, aplicar golpes com falsos empréstimos
Divulgação/PCES
Alerta para golpes
A Polícia Civil orienta que a população redobre a atenção antes de fazer doações pela internet ou fornecer dados pessoais em plataformas digitais.
Segundo a corporação, é importante verificar se o site é oficial, conferir a chave PIX, confirmar a destinação dos recursos e buscar referências sobre a campanha antes de realizar qualquer transferência.
As investigações continuam para identificar outras vítimas, rastrear o patrimônio obtido com os crimes e apurar a participação de possíveis outros envolvidos.
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