O Brasil entra em campo para mais uma partida da Copa do Mundo nesta segunda-feira (29/6), no duelo contra o Japão, e a cidade de Porto Feliz, no interior de São Paulo, se volta para dois nomes que ainda soam como “estranhos” na Seleção Brasileira.
O volante Éderson (à esquerda na foto em destaque) e o zagueiro Bremer (à direita) foram revelados pelo Desportivo Brasil, clube portofelicense da 4° divisão do Campeonato Paulista. E antes de jogarem na Europa ou vestirem a Amarelinha eles eram conhecidos, respectivamente, como “Formigão” e “Gleisinho” entre os meninos das categorias de base.
O pequeno time do interior paulista é um berço de talentos do futebol brasileiro. Só nesta edição da Copa, três jogadores que começaram a carreira no DB foram convocados. Além de Éderson e Bremer, o meia Maurício, jogador do Palmeiras, foi chamado pela seleção do Paraguai.
Éderson chegou ao DB aos 14 anos, para integrar a categoria sub-15, em 2013. Segundo o fisioterapeuta Cacá Maldonado, que trabalhou com o atleta no clube, o volante ganhou o apelido de seus companheiros devido à sua “cara de formiga”.
4 imagensFechar modal.1 de 4Divulgação/Desportivo Brasil2 de 4Imagem cedida ao Metrópoles3 de 4Divulgação/Desportivo Brasil4 de 4Divulgação/Desportivo Brasil
No dia a dia da base, o volante era destaque. Éderson sempre atuou como um volante com características de meia, destacando-se por ser um jogador que pisava na área adversária e marcava gols, sendo considerado um atleta “diferente” pelos treinadores e pela captação.
“Ele sempre foi esse volante mais meia, né? Um volante que atacava mais, tanto é que ele fazia muitos gols na categoria de base, ele sempre estava mais avançado. Era bastante brincalhão com os colegas, divertido. E com a parte dos adultos era mais sério, respeitador”, lembra o fisioterapeuta.
O volante permaneceu no Desportivo Brasil até os 18 anos, chegando a disputar a Taça São Paulo de Futebol Júnior (Copinha) pelo clube antes de seguir para o Cruzeiro. Atualmente, ele joga pela Atalanta, da Itália, e está na sua segunda Copa do Mundo pela Seleção Brasileira.
Já a trajetória do zagueiro Bremer no Desportivo Brasil começou em 2014, quando ele chegou para integrar a categoria sub-17. Na época, Gleison Bremer Silva Nascimento era chamado de “Gleisinho” pelos colegas de equipe.
Esportes Seleção Brasileira embolsa R$ 57,3 milhões após classificação na Copa Esportes Ancelotti exalta classificação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo Esportes Japão avança em 2º lugar e enfrenta Seleção Brasileira na próxima fase Logo em sua chegada, ele participou de uma competição em Saudade, Santa Catarina, onde atuou como zagueiro titular. Maldonado, que estava nesse torneio, relata que Bremer se firmou na posição a partir daquela competição de início de ano.
“Ele chegou e já viajou para uma competição de começo de ano pela categoria sub-17. Ele já chegou jogando esse torneio como zagueiro titular e ali ele se firmou, não era um atleta de frequentar fisioterapia, não teve lesões graves. Um atleta também focado, que já tinha o potencial de vitorioso, com perspectiva de crescimento no clube”, conta Maldonado.
Bremer era considerado um dos destaques técnicos da equipe, e teve uma passagem relativamente curta no DB antes de ser emprestado ao Atlético Mineiro, em 2017. Atualmente, o zagueiro joga pela Juventus, da Itália, e está na sua segunda Copa do Mundo pela Seleção Brasileira.
Clube formador
Conhecido como Dragão Chinês, o Desportivo Brasil é um clube-empresa que pertence ao Shandong Taishan, da China. O clube se diferencia por não ter como objetivo principal montar “super times” ou avançar nas divisões do futebol profissional, mas sim focar na formação de talentos para o mercado da bola.
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Maldonado afirma que o clube “vive para formar” e que a verdadeira “competição” da instituição é o processo de desenvolvimento do jogador. Toda a estrutura do DB é desenhada para que o atleta amadureça tanto no futebol quanto como ser humano, com atendimentos frequentes na assistência social.
Além do trio da Copa, nomes como Diego Carlos (Aston Villa), Gustavo Scarpa (Atlético Mineiro e ex-Palmeiras), Kevin (Fulham e ex-Palmeiras) e Rodrigo Muniz (Fulham e ex-Flamengo) passaram pelo clube de Porto Feliz. Desde 2020, o Desportivo faturou mais de R$ 120 milhões com vendas de jogadores.
Para o fisioterapeuta, um fato marcante de trabalhar em um clube dessa estrutura é que, embora os atletas saiam “formados” para jogar no futebol profissional, eles raramente atuam pelo time principal do Desportivo Brasil. Maldonado admite que isso gera uma sensação de “frustração” por não ver os craques jogando o campeonato do clube, mas sente o “dever cumprido” ao vê-los brilhar em grandes clubes e seleções.





