Search
Close this search box.
Search
Close this search box.

Casadas no Dia do Orgulho LGBT+, mulheres contam como realizaram sonho da maternidade e formaram família em Divinópolis

Casadas no Orgulho LGBT+, mulheres de Divinópolis contam trajetória da maternidade
O desejo de formar uma família levou um casal homoafetivo de Divinópolis a um longo processo de planejamento e à decisão pela fertilização in vitro, que resultou na chegada de dois filhos. A história é de Priscila Émika e Maíra Faria, que hoje dividem a rotina da criação das crianças e celebram a construção da vida familiar.

Em homenagem ao Dia Internacional do Orgulho LGBT+, celebrado neste 28 de junho, o g1 conta a trajetória do casal, que oficializou há exatamente dois anos.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Centro-Oeste de Minas no WhatsApp Priscila e Maíra são casadas desde 2024 e têm dois filhos Priscila Émika/Divulgação
O casal
Priscila Émika e Maíra Faria se conheceram em novembro de 2016, durante uma confraternização organizada por amigos em comum. O encontro aconteceu por acaso.

Maíra contou que interrompeu uma viagem por causa da chuva e decidiu participar da reunião. Naquela noite, as conversas entre ela e Priscila foram poucas, mas suficientes para despertar o interesse.
No dia seguinte, Maíra pediu o telefone de Priscila para uma amiga e, a partir daí, começaram a conversar e a sair juntas. O relacionamento evoluiu, os planos cresceram e, alguns anos depois, surgiu também o desejo de ampliar a família.
Curiosamente, o primeiro passo aconteceu antes mesmo da maternidade, quando adotaram uma gatinha chamada Málaga e perceberam que gostavam de compartilhar os cuidados e responsabilidades. Depois vieram outros animais de estimação e, com eles, a certeza de que estavam prontas para um novo capítulo.
"Entendemos depois de compartilhar cuidados com nossos animais, que estava na hora de darmos um passo diferente", lembrou Priscila.
Casamento de Priscila e Maíra foi realizado no dia 28 de junho de 2024 no Cartório de Registro Civil em Divinópolis
Priscila Émika/Divulgação
O caminho até a maternidade
O desejo de ter filhos não surgiu ao mesmo tempo para as duas. Enquanto Maíra sempre soube que queria ser mãe, Priscila inicialmente não tinha esse plano.
Com o passar dos anos, porém, a ideia amadureceu. Ao mesmo tempo, o casal passou a considerar fatores como a idade e o tempo necessário para uma possível adoção.
Segundo elas, a fila para adoção de bebês poderia levar cerca de cinco anos. Como Maíra também tinha o desejo de vivenciar a gestação, a fertilização in vitro acabou sendo a alternativa escolhida.

No entanto, com a decisão veio o maior desafio: o financeiro.
"O tratamento exige um planejamento muito grande. Tivemos que nos organizar bastante para conseguir realizá-lo", contaram.
A escolha de quem gestaria o bebê, por outro lado, foi simples. Além de sempre desejar passar pela experiência da gravidez, Maíra foi a única opção possível, já que Priscila não possui útero em decorrência de um problema de saúde.
O tratamento durou cerca de quatro meses, desde a escolha do sêmen até a transferência do embrião, com resultado positivo logo na primeira tentativa. Embora as duas gestações tenham transcorrido sem intercorrências, o período foi marcado pela ansiedade natural de quem espera a chegada de um filho.

A primeira a transformar o sonho em realidade foi Gaia, hoje com 2 anos, que trouxe ao casal a experiência da maternidade e inaugurou uma nova rotina dentro de casa.
Durante toda a jornada, Priscila e Maíra destacaram a importância do acompanhamento médico e do suporte emocional para enfrentar cada etapa.

A experiência foi tão positiva que, dois anos depois, decidiram ampliar a família. Em abril de 2026 nasceu Apolo, fruto da segunda gestação.
Priscila e Maíra registraram a espera da primeira filha, Gaia
Priscila Émika/Divulgação
Duas mães, uma criação compartilhada
A rotina da família é organizada de forma colaborativa. Não existe uma divisão rígida de tarefas.

Como Maíra sai mais cedo para trabalhar, Priscila costuma levar Gaia para a escola. Já Maíra geralmente é responsável por buscá-la no fim do dia.

Em casa, as funções se alternam entre preparo das refeições, organização da rotina, brincadeiras, banho e hora de dormir.
"Vai acontecendo naturalmente. Não temos funções fixas", explicaram.
Gaia chama as duas de forma carinhosa: Mamãe P. e Mamãe M. Desde cedo, a filha cresce sabendo que sua família é formada por duas mães.

"Sempre mostramos que existem diferentes tipos de família. Ela fala naturalmente que tem duas mães e não tem papai", contou Maíra.
Para o casal, tratar o assunto com naturalidade é a melhor forma de construir um ambiente de acolhimento e segurança para os filhos.
Priscila Maíra e a primeira filha do casal, Gaia Priscila Émika/Divulgação
Avanços e desafios
Embora afirmem não ter enfrentado episódios diretos de preconceito, Priscila e Maíra acreditam que ainda há um caminho a ser percorrido para que diferentes configurações familiares sejam plenamente compreendidas pela sociedade.
"A gente percebe que existem muitas dúvidas e questionamentos. Nem sempre são falas preconceituosas, mas muitas vezes as pessoas ainda estão aprendendo a lidar com novas formas de família".
Na prática, elas também enfrentaram alguns obstáculos burocráticos. Após o nascimento dos filhos, o registro não pôde ser realizado diretamente no posto de atendimento instalado no hospital.

Tags:

Gostou? Compartilhe!

Mais leitura
Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore