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Alterações na fala podem ser o primeiro sinal de uma demência rara

Dificuldade para encontrar palavras, trocar nomes de objetos ou passar a falar de forma diferente do habitual nem sempre faz parte do envelhecimento. Em alguns casos, essas alterações podem ser os primeiros sinais da afasia progressiva primária, uma doença neurodegenerativa rara que afeta principalmente a linguagem.
O tema ganhou visibilidade após o diagnóstico do ator Bruce Willis e voltou a ser discutido no Brasil durante a Brain Week, realizada no início de junho, em Porto Alegre. Convidado pelo Instituto do Cérebro (InsCer), o neurologista norte-americano Bruce Miller, da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF) e uma das principais referências mundiais em demência frontotemporal, falou sobre diagnóstico precoce e os desafios para reconhecer essas doenças.
Na avaliação do especialista, as alterações na linguagem costumam ser percebidas pelas famílias relativamente cedo, o que facilita o reconhecimento da afasia progressiva primária em comparação com outras formas de demência.
“As afasias progressivas são um pouco mais fáceis de diagnosticar. Acho que as famílias percebem relativamente cedo que a linguagem está mudando e entendem que a linguagem vem do cérebro&#8221. afirma.
Mesmo assim, atrasos ainda acontecem. Em um estudo publicado na National Library of Medicine, Miller e outros pesquisadores descrevem o caso de um paciente que teve as dificuldades de linguagem inicialmente atribuídas ao uso crônico de álcool antes de receber o diagnóstico correto de afasia progressiva primária.
Nem toda demência começa pela memória
Ao contrário da doença de Alzheimer, em que a perda de memória costuma ser o sintoma mais conhecido, a afasia progressiva primária começa comprometendo principalmente a comunicação. Isso acontece porque a doença afeta primeiro áreas específicas do cérebro responsáveis pela linguagem.
“Se o lado esquerdo do cérebro é afetado, a pessoa desenvolve uma afasia progressiva. Quando a área responsável pela linguagem é comprometida, a doença se manifesta principalmente por alterações na linguagem&#8221. explica.
Já quando outras regiões cerebrais são atingidas, os sintomas podem ser completamente diferentes.
“Se a doença afeta os dois lados do cérebro, mas com maior comprometimento do lado direito, ela costuma se apresentar com alterações comportamentais, como comportamento antissocial, compulsão alimentar, desinibição e apatia&#8221. aponta.

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