Professora denuncia intimidação após fazer pergunta em grupo de escola militarizada de Roraima
Arquivo pessoal/Reprodução Uma professora do Colégio Estadual Militarizado (CEM) Maria dos Prazeres Mota, no bairro Santa Tereza, na zona Oeste de Boa Vista, denunciou ter sido intimidada pela gestão da escola após perguntar, em um grupo de mensagens, o motivo da saída de uma funcionária da unidade. A escola integra o modelo de gestão compartilhada entre educadores, a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros.
Ele registrou o caso em boletim de ocorrência no 3º Distrito Policial, em 13 de maio, onde mencionou "tentativa de intimidação, censura e assédio moral".
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Procurada, a Secretaria Estadual de Educação e Desporto (Seed) informou que o gestor da escola foi afastado da gestão administrativa da unidade e encaminhado ao comando do Corpo de Bombeiros para apuração dos fatos, considerando que é servidor da corporação.
“E reforça que, não compactua com quaisquer atos de desrespeito ou assédio dentro das escolas, mantendo o compromisso com a oferta de uma educação de qualidade, gerida de forma democrática e harmônica no ambiente educacional”, disse.
A Polícia Civil disse que dois boletins de ocorrência relacionados ao caso foram registrados – um pela professora e outro pelo gestor – e foram analisados em menos de 24 horas. Após avaliação técnica e jurídica, a polícia concluiu que não havia elementos mínimos para abrir investigação criminal, entendendo que o caso se trata, a princípio, de um conflito funcional e administrativo no ambiente de trabalho, sem indícios de crime.
“Dessa forma, os procedimentos foram arquivados por ausência de justa causa para persecução penal, sem prejuízo de eventual reavaliação caso surjam novos elementos com relevância criminal”, ressaltou.
A professora de 56 anos, que preferiu não se identificar, contou ao g1 que a situação começou em 9 de maio, quando questionou em um grupo de WhatsApp dos servidores o motivo da saída de uma orientadora pedagógica, mas não foi respondida.
Servidora pública federal, ela trabalha há 12 anos na unidade, onde desenvolve projetos de escuta psicológica e incentivo à literatura com os estudantes.
Dois dias depois, ela foi chamada à sala da gestão ao chegar para trabalhar e recebeu uma convocação do gestor, que é um tenente coronel dos bombeiros, para prestar esclarecimentos.
"Acontece esse tipo de coisas e às vezes a gente fica calada, adoecendo [.] Sou professora há 38 anos e nunca vi algo igual", disse.
A pauta, sendo a denuncia, era a "necessidade de alinhamento quanto aos canais oficiais de comunicação e sobre a divulgação de informações sem o devido conhecimento das deliberações da Gestão Compartilhada".
A reunião contou com o gestor administrativo, um coronel, uma gestora pedagógica e a coordenadora pedagógica da escola. Durante o encontro, foi solicitado que a servidora assinasse um documento de “alinhamento”. Conforme a denúncia, o texto determinava que ela não poderia mais fazer questionamentos sobre decisões da gestão compartilhada.
Ela afirmou ter se sentido intimidada e constrangida durante a reunião e se recusou a assinar o documento por entender que estava sendo punida por fazer uma pergunta.
“Poxa, você faz um bom trabalho e [não deveria] ser perseguida. Isso me adoece”, disse.
No dia seguinte, em 12 de maio, a gestão publicou um comunicado no mesmo grupo. Segundo a professora, o texto proibia, entre outras coisas, “questionamentos sobre decisões administrativas ou movimentação de pessoal” no canal.
A servidora afirmou ainda que, após o episódio, passou a ser questionada por outros funcionáros sobre a atuação dela na escola. Em uma das situações, um servidor perguntou o que ela faria em uma sala onde realizaria uma atividade. Ainda conforme o relato, ela também foi questionada se tinha autorização do coronel para estar no local e se ainda trabalhava na unidade.
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Pessoa usando celular — imagem ilustrativa, Freepik/Arquivo
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