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Ex-alunas se dizem aliviadas após condenação de professor da USP por transfobia: ‘Justiça se posicionou’

Ex-alunas travestis se dizem aliviadas após condenação de professor da USP por transfobia
Sentimento contraditório. Assim que as médicas Louise Rodrigues e Stella Branco, ex-alunas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto (SP), definem a condenação do professor Jyrson Guilherme Klamt a três anos e dez meses em regime aberto pelo crime de transfobia.
🔎Para penas menores a quatro anos, o regime aberto geralmente é cumprido em liberdade, com algumas restrições impostas pelo juiz.
O caso aconteceu em novembro de 2023, por conta de uma discussão sobre o uso livre de banheiros na universidade, conforme identificação de gênero. A sentença, em primeira instância, foi proferida na semana passada, quase três anos depois. A defesa de Klamt informou ao g1 que irá recorrer.
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"É um sentimento contraditório receber essa sentença, porque traz tudo à tona novamente, mas é um alívio pensar que a Justiça brasileira se posicionou neste fato, objetivamente neste processo, em relação a tipificar a transfobia enquanto um crime", disse Stella ao g1.
À época dos fatos, as alunas foram confrontadas, ofendidas e ameaçadas pelo professor em uma conversa sobre o assunto no refeitório da universidade no último dia de aula. (entenda mais abaixo)
Para Louise, a condenação abre um debate importante sobre a dignidade e o direito das pessoas trans no Brasil.

"Falar sobre o que aconteceu com a Louise e a Stella é trazer um panorama que sai de um processo revitimizador para reforçar que a resistência está presente desde a entrada delas, até a denúncia delas, até o reconhecimento em procedimentos administrativos, onde esse docente é suspenso duas vezes, uma vez pela FMRP e outra vez pelo HC, para a gente desaguar em uma ação penal e por uma condenação respectiva, que precisa marcar o contexto histórico do Brasil".

Em 2025, pelo 18º ano consecutivo, o Brasil apareceu no topo da lista dos países que mais matam pessoas trans no mundo, de acordo com a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra).
Louise e Stella se conheceram na faculdade de medicina da USP em Ribeirão Preto, SP, e compartilharam processo de transição
Arquivo pessoal
Procurada pelo g1, a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP informou, por meio de nota, que instaurou processo administrativo interno assim que tomou ciência do fato, tendo conduzido apuração por meio de Comissão Processante constituída nos termos da legislação vigente. Ainda segundo a FMRP, o professor cumpriu a penalidade e atualmente este processo está encerrado.
Com relação à sentença judicial, a FMRP informou que decisão foi recebida na segunda-feira (11) e encaminhada à Procuradoria Jurídica e ao RH da USP.

"Até o presente momento, não há novas informações quanto à eventual adoção de providências pela unidade. A Faculdade reafirma seu compromisso com o respeito à diversidade e à integridade de sua comunidade acadêmica".
Reviver o processo
A condenação do professor Jyrson Guilherme Klamt fez com que Stella e Louise revivessem o caso e, para elas, esta parte foi dolorosa.
"Foi um momento de reviver essa situação de violência mais uma vez, de revisitar esses momentos, todo esse processo que a gente vem passando desde o momento da violência, fazer a denúncia, abrir o boletim de ocorrência e todos os trâmites burocráticos, as entrevistas que a gente já tinha dado. Isso acaba sendo um processo também de sofrimento para a gente, em ter que reviver esse processo de violência, e ver como que esse debate sobre a dignidade, sobre o direito das pessoas trans no Brasil ainda é muito incipiente", diz Louise.

Ainda assim, as duas consideram essencial passar pelo processo novamente como forma de mandar um recado para quem ainda acha que poderia ficar impune. Desde 2019, o Superior Tribunal Federal (STF) considera a transfobia como crime de racismo.

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