A passagem de um asteroide próximo à Terra
Dan Durda, CC BY
Um asteroide recém-identificado por astrônomos passará próximo à Terra na próxima segunda-feira (18). Batizado como 2026 JH2, o objeto celeste com dimensões semelhantes a uma quadra de basquete atraiu a atenção por causa sua curta aproximação com o nosso planeta.
Ele foi detectado pela primeira vez em 10 de maio de 2026 e deve passar a uma distância de 90 mil quilômetros da Terra. Ainda assim, a cobertura em alguns sites destacou que o objeto deve "passar raspando" pelo planeta.
Histórias alarmistas semelhantes são regulares,
Em 2024, o mesmo ocorreu com o asteroide 2024 ON, com alguns sites destacando frases como "provoca alerta na Nasa" ou "asteroide potencialmente perigoso".
Em seu lugar, está prevista a missão Near-Earth Object Surveyor ("Pesquisador de objetos próximos à Terra"), que deve começar a operar em 2027. Seu objetivo é encontrar o restante dos asteroides potencialmente perigosos (PHAs) em um raio de 50 milhões de quilômetros da órbita da Terra.
"Uma das coisas mais complicadas de se fazer em astronomia é saber a que distância algo está", revelou Amy Mainzer, cientista planetária da UCLA que chefiou a missão Neowise e chefiará a NEO Surveyor.
"Você pensaria: 'Bem, nós vemos objetos nos limites do espaço, por que não sabemos o que está bem próximo de nós aqui na Terra? Será que não sabemos tudo?' e a resposta é: 'Não, é realmente muito difícil'.”
É importante manter o registro dos objetos avistados e comunicar essas descobertas, explica Mainzer.
Para isso, os astrônomos também usam telescópios baseados em solo para monitorar NEOs e asteroides potencialmente perigosos. Um dos mais novos é o Observatório Vera Rubin, em construção no Chile, que passará uma década criando um mapa do universo em time lapse (técnica de filmagem para uma reprodução acelerada).
"Isso vai revolucionar o número de asteroides que descobrimos", disse Cano.
A Agência Espacial Europeia (ESA) também está construindo quatro pequenos telescópios com lentes múltiplas "Flyeye" para fazer observações de campo amplo do céu noturno.
Como o rastreamento de NEOs ajuda nossa defesa planetária
Nenhum asteroide conhecido está programado para atingir a Terra pelo menos até o próximo século. Sabemos disso graças aos nossos sistemas de defesa planetária. O rastreamento de NEOs faz parte desse sistema.
Depois que um objeto é identificado, pesquisadores como Mainzer e Cano fazem observações repetidas para traçar a trajetória de um NEO de forma rápida e precisa. Isso pode ajudar a diminuir as preocupações com um NEO e faz parte do que os cientistas chamam de defesa planetária.
É o caso do Apophis. Quando identificado pela primeira vez, em 2004, o objeto celeste de 340 metros de largura foi considerado o potencialmente mais perigoso já descoberto. Acreditava-se que ele poderia atingir a Terra em 2029, 2036 ou 2068.
Cálculos posteriores descartaram essa possibilidade. Ele chegará a 30 mil km do planeta no fim desta década – mais próximo do que a Lua e ao alcance de satélites geoestacionários, mas sem atingir a Terra.
Mas o que aconteceria se um NEO trapaceiro fosse visto em rota de colisão com a Terra? Com aviso suficiente, os engenheiros poderiam tentar desviá-lo do alvo.
Em 2022, a missão Double Asteroid Redirection Test (DART) da NASA colidiu com sucesso uma espaçonave em um asteroide chamado Dimorphos. Isso demonstrou que uma colisão calculada pode mudar a direção de um corpo celeste e defender nosso planeta.
A ESA programa lançar uma missão de reconhecimento chamada Hera neste mês para inspecionar o resultado da missão da DART.





