Exclusivo: novas imagens de câmeras corporais mostram outro ângulo de policiais militares atirando em jovem rendido
O julgamento dos dois policiais militares acusados de matar Igor Oliveira de Moraes Santos, de 24 anos, durante uma operação em Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, entrou no terceiro dia nesta quinta-feira (30) com uma mudança na programação prevista.
A sessão começou por volta das 11h, mas foi interrompida minutos depois. A juíza determinou que todos deixassem o plenário para que uma testemunha protegida, que já havia prestado depoimento no primeiro dia do júri, fosse ouvida novamente.
A nova oitiva ocorre a portas fechadas, apenas com a presença da magistrada, do Ministério Público (MP), das defesas e dos assistentes de acusação. O público, a imprensa e os jurados deixaram a sala de julgamento.
A expectativa era de que o terceiro dia fosse dedicado à retomada dos debates entre acusação e defesa. No entanto, o MP pediu que a testemunha voltasse a depor após alegar que ela teria cometido falso testemunho em seu primeiro depoimento. A testemunha permaneceu retida pela Promotoria desde o encerramento da sessão de quarta-feira (29).
PMs com body cam atiram em Igor, mesmo ele tendo erguido as mãos para se render. Suspeito foi morto com dois tiros dados pelos agentes em Paraisópolis
Reprodução
Após a nova oitiva, os trabalhos devem ser retomados com os debates entre acusação e defesa. A previsão é que o julgamento seja concluído ainda nesta quinta-feira.
Dois policiais — os cabos Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima — respondem presos pelo crime de homicídio qualificado por motivo torpe e pelo uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. Segundo a acusação, foram eles que atiraram em Igor.
"A hipótese acusatória não se sustenta. Imagens da COP são apenas um recorte acerca dos fatos e estão sujeitas a diversos vieses cognitivos", disse Wanderley sobre a defesa de seus clientes. "A defesa demonstrará a legitimidade na atuação policial."
'Vieram na maldade', diz pai
Área próximo à favela de Paraisópolis em que grupos atacaram motoristas na noite de quinta-feira (10)
Reprodução/TV Globo
"A gente busca justiça porque entendemos que foi uma execução. Não somos contra a PM. Esses PMs, no caso, acabaram manchando nome da corporação porque se excederam", disse o advogado Jonatha Carvalho, que atua no caso ao lado da advogada Gabriela Amoras Silva.
Eles defendem os interesses da família de Igor e atuam como assistentes da acusação.
"O que mais me dói é que meu filho ficou agonizando e deixaram-no morrer de olhos e boca abertos", disse Magdo de Moraes Santos, pai de Igor, ao g1. "Vieram na maldade."
Igor deixou uma filha de 5 anos.





