Piloto preso colocou fogo em avião antes de fugir, diz polícia
O piloto que fez um pouso forçado na zona rural de Itarumã, na região oeste de Goiás, de um avião carregado com 343 kg de cocaína, foi mantido preso após passar por audiência de custódia. De acordo com o Ministério Público de Goiás, a Justiça decidiu pela manutenção da prisão de Henrique Donizeti Ferri, de 32 anos, para garantir a ordem pública e a conveniência da instrução criminal. Havia também o receio de fuga.
O advogado do piloto, Luís Henrique Viana dos Reis, disse ao g1 que vai buscar a liberdade do cliente, uma vez que ele é réu primário, ou seja, não possui antecedentes criminais, e é trabalhador. De acordo com o advogado, Henrique é autônomo.
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"Ele não possui qualquer antecedente criminal, é trabalhador, possui remuneração lícita. Nós vamos tentar reverter, conseguir liberdade provisória", disse.
Segundo Luís Henrique, a acusação contra o piloto é que ele atuou na figura chamada de "mula do tráfico". "Mula" é o nome dado à pessoa responsável por fazer o transporte de drogas. O advogado disse, porém, que não vai comentar os fatos relacionados à prisão.
Segundo o coronel Heber Souza Bastos, do 5° Batalhão Rodoviário da Polícia Militar, que participou da operação de busca, ao serem questionados, o pai, a esposa e o amigo do piloto disseram que haviam combinado piscar os faróis do carro três vezes para ele sair da mata onde estava escondido desde o dia anterior.
A polícia, então, acompanhou o trio até o local combinado, fazendo o sinal, e prendeu Henrique quando ele saiu.
Fogo em avião
O pouso forçado aconteceu na quarta-feira (5), depois que o monomotor apresentou uma pane mecânica. Após o pouso, o piloto colocou fogo no avião, depois de retirar a droga. Henrique escondeu os 343 kg de cocaína em sacolas, na mata.
O objetivo do incêndio, segundo a polícia, seria destruir provas do tráfico. Um galão de combustível foi encontrado pelos policiais, jogado no chão, ao lado do monomotor.
Segundo apurado pela TV Anhanguera, depois de avistar o avião e chegar perto dele, o funcionário de uma fazenda que ficava a cerca de 1 km do local foi intimidado pelo piloto, que o fez ajudá-lo a esconder a cocaína e também a quebrar o celular dele, para não deixar provas.
De acordo com o coronel Heber, o piloto relatou à polícia que foi contratado para fazer três viagens transportando drogas. A viagem do pouso forçado era a terceira, com um trajeto do Mato Grosso, próximo à divisa com a Bolívia, onde a cocaína foi carregada, até a região de Frutal, em Minas Gerais. "Ele foi contratado pelo dono da aeronave. Ele já tinha efetuado outras duas viagens. Essa era a terceira. E ele receberia R$ 70 mil por viagem", disse o coronel.
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