Delegada explica como atuava casal de pastores que abusava de meninas em Roraima
Os pastores evangélicos Wenderson Lima de Souza, de 32 anos, e Arielly Kamila Moraes de Souza, de 24 anos, investigados por estuprar ao menos seis meninas em Roraima, teve a prisão preventiva decretada pela Justiça e está foragido. O casal usava a fé e a posição de liderança religiosa para manipular as vítimas, segundo a Polícia Civil.
O g1 entrou em contato com a defesa dos investigados, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.
Em entrevista ao g1, a secretária de Segurança Pública de Roraima (Sesp), delegada Eliane Gonçalves, informou que as investigações apontam que os pastores estão em Manaus, no Amazonas, cidade onde Wenderson nasceu e tem familiares.
"O paradeiro deles é incerto. Nós não sabemos onde eles estão, porque senão já os teríamos prendido. Ambos os dois pastores estão na condição de foragidos", explicou Eliane.
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A Polícia Civil identificou seis vítimas, com idades entre 12 e 17 anos. O relatório policial aponta que os suspeitos ofereciam dinheiro e outras vantagens para manter o silêncio.
Outras cinco meninas mostraram indícios de terem sido vítimas, mas optaram por não prestar depoimento oficial, de acordo com os investigadores.
"Eles falavam que estava nos versículos, que aquilo era de Deus, que eles tinham sido mandados para praticar aqueles atos contra as crianças. Algumas das vítimas relataram que questionavam se isso não estava errado, e eles, utilizando da fé dessas crianças, praticavam esses abusos", disse a delegada Eliane Gonçalves.
Casal de pastores investigados Wenderson Lima de Souza e Arielly Kamila Moraes de Souza
Arquivo pessoal
'Preservar e defender os valores da família'
Wenderson é natural de Manaus, e Arielly nasceu em Roraima. A igreja comandada pelos pastores foi registrada em 2022 em nome do pastor e funciona no bairro Cinturão Verde, na zona Oeste de Boa Vista.
A ata de fundação da congregação é datada de 13 de agosto de 2021. Wenderson é o presidente da instituição, enquanto Arielly Kamila ocupa o cargo de vice-presidente.
No documento, a igreja é descrita como uma "instituição civil, religiosa e evangélica", "sem fins lucrativos, com sustento, propagação e governo próprios".
Ainda em agosto de 2021, a congregação passou a usar as redes sociais para divulgar as reuniões religiosas. Entre os temas dos cultos, sempre ministrados por Wenderson e Arielly, estavam a família, com passagens bíblicas como "Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa".
O casal também conduzia reuniões de doutrina para ensinar os mandamentos bíblicos aos fiéis. Segundo a investigação, a pastora atraía e se aproximava das vítimas, enquanto o marido utilizava a posição de líder religioso e interpretações de passagens bíblicas para convencê-las de que os atos sexuais tinham propósito espiritual.
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