O dia 15 de julho de 2026 está fadado a ser um dos marcos da trajetória acidentada de Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência da República. Para ele, pelo menos até aqui, não há data mais infeliz. De manhã cedo, a pesquisa Quaest de intenção de voto só lhe trouxe notícias ruins.
Antes do meio-dia, uma foto postada nas redes sociais mostrou-o sem camisa ao lado de Luiz Phillip Machado de Moraes Mourão, vulgo “Sicário”, ajudante de ordens de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. No fim da tarde, seu pai negou à Justiça que tenha autorizado a divulgação da carta que escreveu aos brasileiros pedindo apoio à candidatura do “Zero Um”.
Foi Flávio quem divulgou a carta. Nela, está dito que “o momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e do empobrecimento.” Jair Bolsonaro quer que acreditemos que escreveu o texto só para conhecimento de Flávio, jamais para que fosse publicado.
Dado a tudo isso e a muito mais, a “boca do jacaré” começou a se abrir para engolir a cópia encardida do pai. Aumentou a chance de Lula vencer a eleição ainda no primeiro turno. Segundo a Quaest, a direita não bolsonarista começou a abandonar Flávio, assim como a fatia do eleitorado que se diz independente.
Pela primeira vez, desde dezembro de 2024, o índice de aprovação do governo Lula superou numericamente o índice de desaprovação (48% a 47%), com crescimento da avaliação positiva do governo nas regiões Sul e Sudeste. Lula lidera as intenções de voto em todos os cenários de primeiro e segundo turnos. Contra Flávio, a vantagem é de 12 pontos percentuais no primeiro turno (40% a 28%) e de 8 pontos no segundo (45% a 37%). Entre a direita não bolsonarista, a queda do pré-candidato foi de 82% para 75%.
O levantamento também mediu o impacto da crise familiar. Sobre a guerra travada por Flávio com Michelle Bolsonaro, que o acusa de maltratá-la, 42% dos entrevistados dão razão a Michelle, e somente 18% a Flávio.
Quanto à foto ao lado de “Sicário” — encarregado por Vorcaro de usar violência para intimidar seus adversários —, Flávio, primeiro, tentou desacreditá-la, atribuindo-a à Inteligência Artificial. Depois, afirmou que não se lembrava do registro. Por fim, sobre a petição que seu pai enviou ao Supremo Tribunal Federal negando ter relação com a divulgação da carta aos brasileiros, o senador calou-se. E por uma razão compreensível: ele também assina a petição.
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