Ponte que desabou e deixou quatro feridos no AC ligava distritos de município; veja como ficou a obra
Um mês após o desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, no interior do Acre, o juiz aposentado Edinaldo Muniz, de 54 anos, segue internado em São Paulo. O acidente, ocorrido no dia 5 de junho, deixou quatro pessoas feridas e teve repercussão nacional. (Veja como ficou a ponte no vídeo acima)
Conforme os familiares do juiz, Muniz não corre risco de morte e um boletim com o estado de saúde atualizado ainda deve ser divulgado pela família. No dia 9 de junho, o advogado Edinei Muniz, de 51 anos, irmão de Edinaldo, recebeu alta hospitalar.
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O g1 entrou em contato com o autônomo Weverton Murieta, de 34 anos, o primeiro dos sobreviventes e que recebeu alta no dia 6 de junho, mas ele não quis falar sobre o caso. À época, ele sentiu dor de cabeça e na região das costas e chegou a vir para Rio Branco, mas não foi internado novamente.
Já Antônio Morais Lima Filho, de 36 anos, que recebeu alta no dia 10 de junho, chegou a passar por cirurgia ortopédica e retirar um dreno torácico. Ao ser procurado pela reportagem para falar, ele disse que não queria comentar sobre o acidente.
Feridos do acidente foram Edinei Muniz, Edinaldo Muniz, Weverton Murieta e Antônio Morais Filho; todos sobreviveram
Reprodução
Além disto, também não há previsão de retirada dos destroços da estrutura e liberação da passagem no rio. O Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária do Acre (Deracre) disse que aguarda a investigação da Polícia Civil para fazer a intervenção. O g1 entrou em contato com o delegado-geral do órgão, Pedro Paulo Buzolin, que ainda não deu retorno.
O laudo da perícia sobre o desabamento deve ser divulgado em 12 de julho e três delegados da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) investigam o caso.
O trajeto, antes feito de carro ou moto atravessando a ponte, agora é feito por catraias utilizadas para atravessar moradores de um lado para o outro. Um vídeo feito pelo estudante Rikelmi Costa de Souza, de 18 anos, é possível ver a pequena embarcação carregando 10 alunos, sem colete salva-vidas.
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Polícia do Acre investiga desabamento de ponte
Após o desastre, a Justiça do Acre determinou o bloqueio de R$ 36 milhões em bens da Construtora Cidade, responsável pela construção. A medida é referente ao valor que custou a obra. O g1 entrou em contato com a construtora e, até a última atualização desta reportagem, não havia obtido resposta.
Na última terça (30), foi feita uma visita técnica de diversas instituições, entre elas a Universidade Federal do Acre (Ufac).
Após isto, a presidente do Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC), Dulcinéa Benício, determinou a adoção urgente de medidas preventivas. Entre elas:
Monitoramento da estrutura: Implantação imediata de monitoramento visual e topográfico, incluindo pilares, blocos de fundação, estacas expostas, tabuleiro, aterros de acesso e margens do rio.
Ampliação da área de isolamento: A recomendação leva em consideração a possibilidade de novos desabamentos, queda de elementos estruturais, processos erosivos e movimentação do solo.
Reforço da sinalização de risco: Instalação de placas e dispositivos de advertência como: "Perigo", "Risco de Colapso", "Áreas interditada", "Entrada Proibida" e "Risco de Morte".
Vídeo mostra o desabamento de ponte no Acre
Medidas emergenciais
No dia 17 de junho, após a Justiça do Acre determinar que a Construtora Cidade adotasse medidas emergenciais, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) confirmou que a empresa não apresentou o plano definitivo.
Além disso, a PGE também detalhou que a construtora informou que faz o levantamento de dados e pediu mais prazo para entregar o documento. O pedido foi feito via judicial. A empresa não quis se não se manifestar naquele momento.
O g1 apurou que, no dia 19 de junho, a empresa entrou com um pedido de reconsideração e solicitou 15 dias para apresentar a defesa, 20 dias para apresentar o plano de assistência às famílias afetadas e 90 dias para entregar o laudo técnico. O processo tramita na 2ª Vara da Fazenda Pública.
Um dia após o desabamento, a PGE-AC e o Deracre entraram na Justiça com duas medidas judiciais para assegurar a responsabilização da empresa. O objetivo, segundo a gestão, era garantir a adoção de providências tomadas pela construtora e a preservação de recursos para reparar os danos.
À época, a Justiça deferiu, de forma parcial, as medidas do governo reconhecendo o impacto causados pelo colapso da ponte. Na decisão divulgada pelo Ministério Público Estadual (MP-AC), também foi fixada multas diárias que somam R$ 200 mil, em caso de descumprimento.
Além do bloqueio de bens, a Justiça também aceitou pedidos do MP-AC para preservar provas e investigar as causas do desabamento. Foi determinado que o Estado deve manter guardados todos os documentos da obra, como projetos, relatórios de fiscalização, medições e outros registros técnicos.
Desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari completou 1 mês neste domingo (5)
Arquivo/Tribunal de Contas do Estado do Acre
Desmoronamento de ponte
A Ponte Frei Paolino Baldassari foi inaugurada no dia 19 de dezembro de 2023 e tinha 232 metros de extensão. Executada pela construtora Cidade Ltda, a obra custou mais de R$ 36 milhões. Conforme o Corpo de Bombeiros, a parte da estrutura que ruiu corresponde a 60% da extensão de 139 metros.
O delegado-geral Pedro Paulo Buzolin confirmou, após o caso, que peritos do município já fizeram uma perícia preliminar no local do desmoronamento. O MP também confirmou que a Promotoria de Justiça Cível e Criminal da cidade também apurar as causas do acidente.
Cerca de uma semana antes do desabamento da ponte, foram identificadas movimentações no solo e rachaduras em uma área de mais de 16 mil metros quadrados no entorno da estrutura. Com base nas informações técnicas, a empresa encaminhou ao Deracre uma recomendação de interdição.
Em nota anterior ao g1, a construtora atribuiu o acidente ao fenômeno terras caídas, que ocorre às margens dos rios, nas áreas fluviais. Ele é comum na região amazônica e se desenvolve através do colapso da margem do rio, que têm uma alta declividade.
VÍDEOS: g1





