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Ativista tibetano morre após atear fogo ao corpo perto da sede da ONU; homem manifestava pela independência do país

Um homem identificado pela Voz do Tibete, um veículo de comunicação de tibetanos exilados , como o ativista tibetano Lobga Rangzen, caminha carregando uma bandeira tibetana perto da sede das Nações Unidas, antes de atear fogo ao próprio corpo em um apelo pela independência do Tibete.
Lobga Rangzen via Facebook/via REUTERS
A polícia de Nova York informou na quinta-feira (2) que um homem morreu em decorrência de queimaduras graves perto da sede da Organização das Nações Unidas (ONU). Ativistas e um veículo de imprensa de tibetanos no exílio o identificaram como um tibetano que ateou fogo ao próprio corpo em um apelo pela independência da região.
Um porta-voz do Departamento de Polícia de Nova York (NYPD) afirmou que os agentes responderam a um chamado de emergência por volta das 18h30 (horário local) na quinta-feira e encontraram o homem gravemente queimado.
Ele foi encaminhado ao Hospital Bellevue, onde o óbito foi confirmado. A polícia informou que as investigações continuam em andamento e não divulgou a identidade da vítima.
O Voice of Tibet, um canal de comunicação de tibetanos no exílio, informou que o ativista tibetano Logba Rangzen "cometeu autoimolação em frente à sede da ONU em Nova York, após uma transmissão ao vivo em que pedia a independência e a unidade do Tibete".
Agora no g1
O site de notícias locais amNewYork reportou que a vítima trabalhava como motorista de Uber e foi ao local carregando uma bandeira do Tibete. O portal citou o depoimento de Lobsang Paljor, também motorista de Uber, que conhecia Rangzen de encontros da comunidade tibetana. Paljor afirmou ao site que Rangzen "estava enfurecido com as restrições impostas pelo governo chinês aos seus compatriotas".
Lei de unidade étnica entra em vigor
Os Estados Unidos e a União Europeia manifestaram preocupação com a nova lei de unidade étnica da China, que entrou em vigor esta semana e confere a Pequim base legal para adotar medidas contra cidadãos fora de suas fronteiras.
A legislação cria uma identidade nacional "compartilhada" entre os 55 grupos de minorias étnicas do país, incluindo tibetanos e uigures, dos quais uma parcela resiste ao domínio chinês. Comunidades tibetanas ao redor do mundo têm se manifestado contra a medida.
Casos anteriores de autoimolação já haviam sido registrados como forma de protesto contra as políticas de Pequim no Tibete e em regiões vizinhas com expressiva população tibetana.
A China assumiu o controle do Tibete em 1950, no que classifica como uma "libertação pacífica" do regime de servidão feudal.
Contudo, organizações internacionais de direitos humanos e exilados condenam sistematicamente o que chamam de regime opressor da China em áreas tibetanas. Pequim rejeita as acusações
Questões que envolvem minorias étnicas são altamente sensíveis na China. Tibetanos e outras minorias enfrentam vigilância rigorosa contra qualquer indício do que o governo classifica como "separatismo". Pequim ampliou o controle institucional sobre o Tibete desde que Xi Jinping assumiu a presidência do país, em 2012.
Tencho Gyatso, presidente da Campanha Internacional pelo Tibete, definiu Rangzen como "um defensor incansável do Tibete" e declarou estar "profundamente entristecida" com a morte do ativista.
Segundo dados da Campanha Internacional pelo Tibete, foram registradas mais de 150 autoimolações de tibetanos entre 2009 e 2022. Os registros apontam que 10 desses episódios ocorreram com cidadãos que estavam no exílio.

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