violencia contra a mulher
© Paulo H. Carvalho/Agência Brasília
Os casos de violência psicológica contra mulheres cresceram 1300% em 10 anos no RJ, de acordo com o Instituto de Segurança Pública (ISP). A análise faz parte do Dossiê Mulher divulgado nesta quarta-feira (1º).
Esta edição traz dados de 2025 e, pela 1ª vez, dedica um capítulo à análise dessas narrativas nas redes sociais e aponta como elas podem contribuir para a naturalização da violência de gênero, focando no movimento redpill.
“O discurso redpill é caracterizado pelo estímulo do ódio contra mulheres a partir de falas misóginas, que reduzem as mulheres a seres submissos aos homens, reforçando hierarquias de gênero que já deveriam estar superadas. O grande ponto é que esse ‘movimento’ é uma identidade de grupo com repertório e gramática social próprios, que utiliza esse ódio como forma de existir no mundo”, explica a diretora-presidente do ISP, Bárbara Caballero.
"Com esses dados, notamos como o machismo se reinventa e se adapta aos novos tempos, a cada avanço dos direitos relacionados à equidade de gênero, explicando o porquê do aumento", afirma Caballero.
Ao todo, foram registrados 5.870 descumprimentos de medidas protetivas, o maior número da série histórica iniciada em 2018.
No total, 159.041 meninas e mulheres sofreram algum tipo de violência no estado do Rio de Janeiro em 2025, uma média de 18 vítimas por hora. O perfil predominante é de mulheres negras, solteiras e jovens entre 18 e 29 anos.
Os dados também revelam que 105 mulheres foram vítimas de feminicídio no estado no último ano. Em mais de 80% dos casos, os crimes aconteceram dentro de casa e, em mais da metade, os autores eram companheiros das vítimas.
Segundo o Dossiê, mais de 70% dessas mulheres já haviam sofrido algum tipo de violência doméstica antes do assassinato, mas não haviam registrado ocorrência.





