Segundo o professor Saulo Siqueira Martins, do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Pará (UFPA), Belém praticamente não registra terremotos com epicentro próximo à cidade.
"O que aconteceu agora é mais um episódio provocado por um terremoto distante, neste caso, na Venezuela. Belém não tem registro de terremotos com epicentro próximo. Os episódios sentidos aqui são, na grande maioria, ondas sísmicas vindas de grandes terremotos da Cordilheira dos Andes e da região do Caribe."
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Mesmo viajando milhares de quilômetros, essas ondas ainda chegam com energia suficiente para provocar pequenas oscilações.
"O solo de Belém é sedimentar, e esse tipo de terreno amplifica determinadas vibrações. Além disso, os prédios altos oscilam de uma forma que combina com as ondas longas produzidas por grandes terremotos distantes. Por isso, quem está nos andares mais altos costuma sentir o tremor, enquanto prédios baixos ao lado muitas vezes não registram nenhum efeito."
O pesquisador explica que Belém está localizada no interior da Placa Sul-Americana, distante das bordas tectônicas onde ocorrem os grandes terremotos.
Segundo o professor Saulo Martins, esses eventos são resultado de reajustes naturais na crosta terrestre, associados à reativação de antigas falhas geológicas existentes no interior da Placa Sul-Americana.
Nos últimos anos, houve registros desse tipo em municípios como Breves, Baião, Canaã dos Carajás e, mais recentemente, Tucuruí. Em geral, são tremores de baixa magnitude, que raramente são percebidos pela população.
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Divulgação
Há motivo para preocupação?
Para o especialista, não. "Não há qualquer indicação de aumento da atividade sísmica em Belém. O tremor desta semana foi apenas um efeito remoto de um terremoto ocorrido na Venezuela, exatamente como aconteceu em 2018."
O professor também destaca que o fato de um edifício oscilar não significa, por si só, que exista comprometimento estrutural.
"Prédios bem projetados são construídos justamente para absorver esse tipo de movimento."
O monitoramento sísmico no Brasil é realizado continuamente pela Rede Sismográfica Brasileira, coordenada pelo Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP) e pelo Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB), instituições responsáveis pelo acompanhamento oficial da atividade sísmica no país.
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Kayan Albertin/g1
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