A nova líder do governo no Senado, senadora Teresa Leitão (PT-PE), assume o posto em meio à relação estremecida entre o Palácio do Planalto e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), e terá como missão destravar pautas prioritárias para a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Lula deve receber Teresa em reunião nesta segunda-feira (29/6), no primeiro encontro presencial entre os dois desde que ela foi escolhida para a função, na última quinta-feira (25/6). A indicação ocorreu após o senador Jaques Wagner (PT-BA), em acordo com o presidente, decidir deixar a liderança.
Jaques Wagner deixou o posto na quarta-feira (24/6), depois de ser alvo de operação da Polícia Federal (PF). O senador é suspeito de favorecer interesses do Banco Master, de Daniel Vorcaro, no Congresso em troca de vantagens. Ele vinha sendo pressionado a renunciar diante do receio de aliados de que o caso contaminasse a campanha de reeleição de Lula.
A reunião servirá para alinhar as prioridades da liderança em um ano eleitoral, tradicionalmente esvaziado a partir de agosto, quando parlamentares do Senado e da Câmara concentram esforços em seus redutos, seja para campanhas próprias ou para apoiar candidatos de seus partidos.
Quem é a nova líder do governo
Outras pautas importantes
Outra proposta considerada estratégica pelo governo é a PEC da Segurança Pública, que constitucionaliza o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) e amplia a atuação das polícias Federal e Rodoviária. O texto foi aprovado pela Câmara em março, mas perdeu força no Senado.
Lula já chegou a cobrar publicamente a votação da matéria, sem que, até o momento, haja sinalização de avanço por parte de Alcolumbre.
Também estão na lista de prioridades do Planalto o projeto de lei que estabelece um marco regulatório para a exploração de minerais críticos e estratégicos; a proposta que cria o Redata, voltado ao compartilhamento de dados entre órgãos públicos; e a tramitação de medidas provisórias (MPs), que dependem da instalação de comissões mistas antes de serem analisadas pelo Congresso.
Além de reconstruir pontes com o comando do Senado, destravar propostas prioritárias e mapear votos com mais antecedência, Teresa Leitão também terá como missão impedir que pautas de alto custo político ou fiscal avancem sem negociação com o Planalto.
No início de junho, o Senado avançou com três propostas que, juntas, podem causar impacto de cerca de R$ 215 bilhões para o governo. Uma das chamadas “pautas-bomba” é o projeto que autoriza o uso de recursos do Fundo Social do pré-sal para renegociar dívidas rurais. A equipe econômica estima impacto de R$ 140 bilhões para o Tesouro Nacional ao longo de 10 anos. O texto agora está na Câmara.





