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Ex-servidora acusa defensor público de tentar beijá-la à força em velório

O defensor público Rogério Borges Freitas (foto em destaque), afastado cautelarmente do cargo de 1º Subdefensor Público-Geral da Defensoria Pública de Mato Grosso, voltou a ser alvo de novas acusações de assédio moral e sexual. Documentos obtidos pela coluna revelam que uma segunda mulher denunciou o defensor em junho deste ano, relatando investidas físicas e verbais ocorridas quando trabalhava na instituição.
Em depoimento prestado em 1º de junho deste ano, a ex-servidora da Defensoria afirmou que Rogério se aproveitou de um momento de vulnerabilidade emocional pelo qual ela passava para se aproximar.

A investigação, divulgada anteriormente pela coluna, apura possíveis crimes de importunação sexual e constrangimento ilegal supostamente praticados por Rogério.
Conforme os documentos obtidos pela reportagem, a vítima relata que os episódios começaram em janeiro de 2017, quando o defensor teria oferecido carona e se lançado sobre ela dentro de um veículo sob o pretexto de auxiliá-la com o cinto de segurança.
Em outro episódio, ocorrido em janeiro de 2018, Rogério teria chamado a servidora para acompanhá-lo em uma atividade dentro de seu gabinete e passou a ler trechos da Bíblia para ela e outro colega.
Já em julho de 2019, segundo a denúncia, o defensor teria elevado o tom de voz e humilhado a servidora ao exigir que realizasse tarefas para as quais ela não possuía capacitação técnica adequada.
A coluna teve acesso à gravação de uma reunião realizada em março deste ano, após conflitos internos em um setor da Defensoria, envolvendo a vítima.
Durante o encontro, Rogério afirma que a servidora possuía um “espírito faccioso” e comportamento de “rebeldia&#8221.
“Você é uma pessoa maravilhosa, extraordinária, mas tem uma língua grande. Não aquieta a língua. Ninguém quer saber da sua vida. Senta, faz teu serviço e não comenta nada com ninguém&#8221. disse o defensor em um dos trechos.
Na sequência, ele orienta que a servidora aceite as determinações da chefia sem resistência.
“Receba a ordem dele. Não tenha uma postura de adversidade, de oposição, de rebeldia. Procura manter a submissão ali. Porque ali nós acolhemos você e abrimos as portas do setor. Eu tenho respeito e carinho por você, mas às vezes alguns comportamentos precisam ser ajustados&#8221. falou.
Ao responder, a servidora relata o sofrimento psicológico decorrente do ambiente de trabalho e afirma que passou a fazer acompanhamento psiquiátrico e psicológico.
“Eu estou sobre medicação, tratamento psiquiátrico e psicológico. O que a gente vê é que tudo é abafado. Eu só estou aqui porque eu preciso. Senão, eu já pensei até de pular lá de cima com as coisas que ele falou&#8221. afirmou.
Ao longo do encontro, Rogério lê trechos do capítulo 12 do Evangelho de Mateus e afirma que “a boca fala do que o coração está cheio&#8221. Em seguida, menciona que as pessoas responderão por suas palavras “no dia do juízo&#8221.
Depois, pergunta repetidamente se a servidora conseguiria perdoar o superior apontado por ela como responsável pelos problemas. “A senhora vai perdoá-lo e ele vai pedir perdão para a senhora.”
Afastamento cautelar
Em meio às denúncias, a Defensoria Pública-Geral publicou, em 13 de maio, uma portaria determinando o afastamento cautelar de Rogério de suas atribuições como 1º Subdefensor Público-Geral. A medida foi fixada com prazo inicial de 60 dias enquanto os fatos estão sendo investigados.
A coluna procurou a Defensoria Pública do estado, que informou que o servidor será exonerado do cargo de chefia.
Em nota, a Polícia Civil confirmou que as investigações dos dois casos estão em trâmite na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá.
“Os fatos estão sendo apurados com celeridade e imparcialidade e mais detalhes não podem ser passados por se tratar de investigação com sigilo.”

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