Polícia diz que rede de pneus estimulava venda de serviços desnecessários
O delegado Lyon Ribeiro Silva, responsável pelas investigações que apontam práticas abusivas da rede de lojas Pneuz a clientes de diversas partes do país, disse ter indícios de competições entre franqueados, orientações a funcionários e porcentagens sobre vendas de serviços desnecessários.
Segundo ele, alguns ex-colaboradores já prestaram depoimento, mas deverão ser ouvidos novamente. Pelo menos 100 pessoas podem ter sido lesadas, em sua maioria, mulheres e idosos. A empresa nega irregularidades.
"Ao que tudo indica, há, sim, indícios fortes de que eles trabalhavam dessa forma. Tinha uma certa regra na forma como eles deveriam agir com relação aos clientes. Há uma orientação. Tanto que há, inclusive, uma forte competição entre os franqueados e também entre os setores da empresa, entre os funcionários de cada setor da empresa".
Na quinta-feira (28), uma operação da Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão em cinco endereços em Ribeirão Preto e Jardinópolis: as duas lojas, que ficam na Avenida Francisco Junqueira, na casa do dono da franquia, na casa de uma funcionária e na central de telemarketing.
Em nota, a defesa da Pneuz informou que não teve acesso ao conteúdo das acusações que resultaram na operação policial e disse que a empresa sempre pautou suas atividades dentro da mais absoluta observância aos preceitos da probidade e boa-fé.
O inquérito, instaurado pela Polícia Civil de Mogi das Cruzes, apura os crimes de estelionato e associação criminosa.
Rede de lojas Pneuz é alvo de operação da Polícia Civil em Ribeirão Preto, SP
Reprodução/EPTV
Bens bloqueados Na quinta-feira, dia da operação, a Justiça de São Paulo autorizou o bloqueio de até R$ 4 milhões em contas bancárias dos investigados, que não tiveram os nomes divulgados.
O valor, segundo o delegado, seria uma parte do que foi movimentado pelo grupo ao longo dos anos. O dinheiro pode servir para indenizar clientes lesados pela empresa.
"A gente conseguiu preliminarmente cerca de R$ 4 milhões. Inclusive, houve um bloqueio desses valores na data de hoje nas contas dos investigados, tanto do CEO da empresa, como dos franqueados da região do Alto Tietê, e também de alguns dos funcionários relacionados ao pessoal do Alto Tietê. A ideia é essa, ressarcir as vítimas".





