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‘Aulas’ de fuzil, tiros na TV: Irã prepara civis para pegarem em armas em caso de invasão dos EUA

"Isso passa a sensação de que uma eventual invasão por terra vai encontrar resistência ferrenha, rua a rua", disse Baghdadi ao g1.

Nas ruas, os treinamentos têm encontrado adesão de parte da população — a que apoia o regime dos aiatolás.
“Com certeza, resistiremos (aos norte-americanos) e não cederemos um centímetro sequer do nosso território”, disse à agência de notícias Associated Press o iraniano Ali Mofidi, um dos "alunos" presentes em um dos treinamentos da Guarda Revolucionária em Teerã. "É necessário que todo o nosso povo seja treinado, porque estamos em uma situação de guerra atualmente”, acrescentou.
A iraniana Rojan Astana, moradora de Teerã, também decidiu fazer uma aula. À TV estatal russa, ela contou que também quer estar preparada para defender seu país.
"Quando eu me posicionei atrás do fuzil, eu senti que, assim como os voluntários que protegem nossos compatriotas, eu também sou capaz de pegar em armas. E que se algum dia alguém invadir nosso país, eu posso ir para a linha de frente", disse a jovem à TV estatal russa.
👉 O que já está claro é que Teerã quer que o mundo veja sua nova estratégia. Ao longo da semana, o regime liberou raras imagens das ruas da capital iraniana para mostrar os estandes montados pela Guarda Revolucionária em ruas e praças para ensinar quem passa por lá a manusear fuzis.
O movimento é atípico, porque o regime dos aiatolás costuma controlar o acesso a armas, liberadas, em geral, a milícias e grupos associados à Guarda Revolucionária.

E também arriscado, já que armas distribuídas podem acabar nas mãos de manifestantes que foram às ruas em peso entre dezembro do ano passado e janeiro deste ano, na maior onda de protestos contra o regime dos aiatolás.
Trump já afirmou, inclusive, ter enviado armas aos manifestantes por meio de aliados curdos, em uma tentativa de fazer com que o movimento interno derrube o regime dos aiatolás.
Motivação em tempos de guerra
Para além da estratégia de guerra, o professor Tanguy Baghdadi acha que a campanha das armas também "mobiliza positivamente a população" em um momento de forte crise econômica e pressão interna por conta da guerra.
Em meio à guerra e à crise, iranianos vêm enfrentando demissões em massa, o fechamento de empresas e preços exorbitantes de alimentos, medicamentos e outros produtos.
A tentativa também é de manter a base apoiadora da população. Autoridades governamentais afirmam que mais de 30 milhões de pessoas no Irã — país com uma população de cerca de 90 milhões — já se voluntariaram a dar a vida pela teocracia iraniana.
A vencedora iraniana do Prêmio Nobel da Paz, Shirin Ebadi, criticou as demonstrações públicas de armas, particularmente as imagens de meninos manuseando fuzis de assalto.
"Cenas como essas lembram o sequestro e o armamento de crianças por grupos como o Boko Haram na Nigéria e milícias no Sudão e no Congo", disse a ativista.
Irã acelera execuções de manifestantes
Ao mesmo tempo em que arma apoiadores do regime, o Irã aumentou internamente a repressão e acelerou as execuções de prisioneiros – incluindo manifestantes.

Segundo denúncia divulgada por ONGs na última segunda-feira (18), ao menos 21 pessoas foram executadas pelo regime dos aiatolás desde o início da guerra em 28 de fevereiro. Outras 4 mil pessoas foram detidas nesse período.
"Numa situação em que a comunidade internacional dedica atenção limitada às violações de direitos humanos dentro do Irã, a República Islâmica utiliza essa margem para executar prisioneiros com o menor custo político possível", afirmou o diretor Iran Human Rights, Mahmood Amiry-Moghaddam, à DW.

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