Policial militar dá tapa em frentista de posto em Boa Vista
O tenente-coronel da Polícia Militar Jefferson Gomes da Silva, condenado por agredir um frentista negro com um tapa no rosto em um posto de gasolina de Boa Vista, foi rebaixado de patente e voltou a exercer o cargo de major. O decreto foi divulgado no Diário Oficial do Estado dessa terça-feira (19).
A promoção ao posto de tenente-coronel havia ocorrido em 26 de dezembro de 2025 e também foi publicada no Diário Oficial. À época, o governo do estado informou que a nomeação ocorreu “pelo critério de merecimento”. O ato foi assinado pelo então governador Antonio Denarium (Republicanos).
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O g1 procurou Jefferson e aguarda resposta.
Jefferson permaneceu 144 dias na nova patente. O rebaixamento dele e de outro militar foi assinado pelo governador Soldado Sampaio (Republicanos). No documento, o governo afirma que as promoções “ocorreram de forma indevida”.
Em nota, a PM esclareceu que "a revisão das promoções ocorreu após demanda judicial apresentada por um oficial da corporação, que questionava os critérios aplicados nas promoções referentes ao exercício de 2025".
Jefferson foi condenado, em primeira instância, a 7 meses e 23 dias de detenção por injúria real e lesão corporal. A pena deve ser cumprida inicialmente em regime aberto. Ele também foi condenado ao pagamento de R$ 15 mil à vítima.
De acordo com o Ministério Público de Roraima (MPRR), o processo aguarda julgamento de recurso em segunda instância pelo Tribunal de Justiça de Roraima.
Réu por agressão e "Orgulho de Roraima"
Capitão da Polícia Militar Jefferson Gomes da Silva e o deputado estadual Gabriel Picanço (da esquerda para a direita).
Ale-RR/Divulgação
A agressão ocorreu em abril 2022. Em um vídeo, é possível ver quando o militar se aproxima do funcionário, de 26 anos, e desfere um tapa no rosto do jovem, que não reage e se abaixa para pegar o boné. Em seguida, o policial sai em direção a um carro estacionado no local.
O capitão Jefferson Gomes foi denunciado à Justiça pelo MPRR por lesão corporal, ameaça e injúria racial. Ele havia se tornado réu em novembro de 2022, quando o juiz Renato Albuquerque aceitou a acusação. A denúncia foi ajuizada pela 2ª Promotoria de Justiça Criminal.
Ainda em 2022, o militar recebeu a comenda "Orgulho de Roraima", honraria proposta pelo deputado estadual Gabriel Picanço (Republicanos). O projeto foi aprovado durante sessão plenária no dia 24 de maio, um mês após a agressão.
Na justificativa, Picanço descreveu a atuação do policial em diversos órgãos de segurança, como o de Comandante da Companhia Independente de Policiamento de Transito (Ciptur). Além disso, citou que o PM "demonstrou em sua vida força de vontade de foco na persecução de seus objetivos".
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