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Irã consolida controle sobre Ormuz com postos em ilhas, acordos diplomáticos — e às vezes ‘taxas’

Imagem de drone mostra o petroleiro Agios Fanourios I, com bandeira de Malta, que navegou pelo Estreito de Ormuz e chegou às águas territoriais do Iraque, próximo a Basra, Iraque, em 17 de abril de 2026.
REUTERS/Mohammed Aty/Foto de Arquivo
A tripulação do petroleiro reuniu coragem e navegou cuidadosamente por uma rota determinada pelo Irã, seguindo rente à costa e manobrando a enorme embarcação entre postos de controle em ilhas pelo Estreito de Hormuz.
O Agios Fanourios I, de 330 metros de comprimento, carregado com petróleo bruto iraquiano e com destino ao Vietnã, estava parado na costa de Dubai desde o fim de abril. Mas, em 10 de maio, partiu rumo ao estreito após um acordo direto com o Irã supervisionado pelo primeiro-ministro do Iraque.
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As ordens iranianas ao petroleiro faziam parte de um mecanismo complexo e em múltiplas camadas que o país implantou para liberar embarcações no Estreito de Ormuz.

Com o Irã agora no controle de fato da passagem, o sistema pode envolver acordos entre governos, uma rigorosa triagem por parte das autoridades iranianas e, às vezes, cobranças em troca de passagem segura, apurou a Reuters.
No Vietnã, Iraque, Grécia e outros países, o trajeto do navio era acompanhado de perto, inclusive por duas pessoas entrevistadas pela Reuters. Periodicamente, o transponder era desligado, mas o Agios Fanourios I seguia navegando. Não muito longe dali, no mesmo dia, outro navio foi atingido por um projétil que causou um pequeno incêndio, segundo uma agência britânica de segurança marítima.
No fim do dia 10 de maio, os sistemas voltaram a mostrar o ícone do Agios Fanourios I. Mas, ao passar pela Ilha de Ormuz, o navio foi parado por lanchas rápidas da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), segundo uma autoridade iraniana.
Os combatentes da IRGC que patrulhavam o estreito — e que inicialmente haviam autorizado a passagem — ordenaram então que o navio parasse. A autoridade iraniana disse que havia suspeita de carga contrabandeada e que os militares queriam inspecionar a embarcação.
Várias horas depois, o petroleiro recebeu autorização iraniana para continuar viagem, transformando um trajeto que normalmente leva cinco horas em uma travessia de dois dias.
“Quando fomos informados de que o Agios havia passado por Ormuz, respiramos aliviados”, disse uma das pessoas que monitoravam a viagem.
Nenhum pagamento foi feito, segundo a empresa gestora do navio, a Eastern Mediterranean Shipping, e seis pessoas com conhecimento da travessia.
“Temos motivos para acreditar que os iranianos fizeram vista grossa para a passagem do Agios Fanourios I após pressão do Iraque e do Vietnã”, escreveu Konstantinos Sakellaridis, gerente de operações da Eastern Mediterranean Shipping, em resposta a perguntas da Reuters.
O governo iraniano não respondeu a um pedido de comentário sobre o novo mecanismo ou sobre a viagem do Agios Fanourios I.
O controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz — passagem por onde circula cerca de um quinto do petróleo mundial — lançou a economia global em turbulência.

Para mostrar como o Irã vem consolidando o domínio sobre esse ponto estratégico nas últimas semanas, a Reuters entrevistou 20 pessoas com conhecimento do mecanismo, incluindo fontes do setor marítimo europeu e asiático, além de autoridades iranianas e iraquianas; analisou documentos iranianos relacionados ao processo de triagem; e rastreou movimentos de navios.

Em conjunto, as informações oferecem uma visão rara de como funciona o esquema iraniano, no qual a poderosa Guarda Revolucionária desempenha papel central.
Todas as fontes pediram anonimato devido à sensibilidade do assunto. Alguns detalhes da viagem do Agios Fanourios I não puderam ser verificados de forma independente, mas coincidem com relatos de outras autoridades marítimas envolvidas na gestão e navegação da mesma rota, tanto para cargueiros quanto para petroleiros.
Taxas de segurança e navegação Embarcações navegam pelo Estreito de Ormuz, Musandam, Omã, 20 de maio de 2026.
REUTERS/Stringer
No início de maio, cerca de 1.500 embarcações com aproximadamente 22.500 marinheiros estavam presas no Golfo, segundo os militares dos EUA.

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