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Macacos-prego tratados na UFU foram retirados de cativeiro onde ‘manejo era feito na base do terror’

Macaco passou por tratamento de energia após sofrer descarga elétrica — Foto: Reprodução/TV Integração
A macaco-prego Tarumã que foi eletrocutada ao caminhar sobre um fio de energia no bairro Umuarama, e morreu na última terça-feira (12) após ser submetida à eutanásia, foi um dos 26 da mesma espécie resgatados de um criadouro em Santa Catarina. Segundo uma das fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o manejo dos animais no local "Era feito na base do terror, com jatos d’água de alta pressão".

Cinco desses animais, sendo três fêmeas e dois machos, foram abrigados pelo Setor de Animais Silvestres do Hospital Veterinário da Universidade Federal de Uberlândia (HV-UFU). No local, eles fizeram uma série de exames, entre eles, raio-x, ultrassom e eletrocardiograma.

“As fêmeas estavam muito magras e um macho tinha oito projéteis de arma de pressão espalhados nas mãos, pernas e tórax. É um indicativo de que eles foram tirados da natureza ou alvejados em algum momento da vida”, disse o veterinário-chefe do HV-UFU, Márcio Bandarra.

Ainda segundo Bandarra, os exames feitos até o momento pelos veterinários revelaram que o mesmo macho que tinha projéteis também tinha dois microchips, ou seja, ele pode ter sido vendido e recapturado com o uso de arma.

“Eles também estavam com nutrição inadequada e suspeita de diabetes. Estamos aguardando exames de imagens mais precisos para diagnóstico de possível aneurisma”, diz Bandarra.

“Esses macacos apresentavam alto grau de comportamento típico de estresse, de cativeiro inadequado. Todos tinham sintomas de aversão a pessoas, demonstrando um medo exacerbado”, relatou uma das fiscais envolvidas na apreensão dos macacos, que não teve a identidade revelada pelo Ibama.
Segundo ela, o estresse era tão elevado, que eles já não desenvolviam mais os comportamentos esperados para a espécie, como a estruturação hierárquica de grupos.
O criadouro funcionou por meio de uma liminar que permitiu o funcionamento de 2013 a 2024, período em que foi declarada a venda de 240 primatas, sendo 86 macacos-prego e 154 saguis, com valores que ultrapassavam R$ 100 mil por animal.

Com a cassação da liminar, o Ibama iniciou, em 2024, o processo de desativação do criadouro, onde foram constatadas graves irregularidades, incluindo situações de maus-tratos como:
gaiolas pequenas, que não permitiam movimentos básicos, como a escalada desnutrição
estresse crônico
privação de luz solar
separação precoce entre mães e filhotes
Com o resgate, os macacos-prego foram levados a instituições especializadas em reabilitação de animais, onde são oferecidos espaços amplos com terra, vegetação e estrutura para escalada.
A criação de macacos-prego como animais de estimação não é recomendada pelos órgãos ambientais por causa da inadequação ao ambiente doméstico.
Isso compromete os comportamentos naturais e frequentemente resulta em manejo abusivo, maus-tratos e riscos sanitários relevantes.
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