O cantor e compositor Ed Motta negou, em depoimento à Polícia Civil, ter ofendido funcionários de um restaurante na Zona Sul do Rio. O RJ2, no entanto, teve acesso a áudios enviados pelo músico ao dono do estabelecimento em que ele relata problemas com um funcionário e usa termos ofensivos.
Os arquivos estão sendo analisados pela polícia. Em um dos áudios, o cantor pede desculpas por ter jogado a cadeira no chão, mas reclama da cobrança da taxa de rolha.
"Eu tive uma experiência terrível no restaurante. Fiz a reserva de uma mesa e vocês não me avisaram que teria uma rolha. A gente se conhece há tantos anos. Poxa vida, tem que respirar fundo. E apareceu a rolha. Eu peço desculpa porque eu joguei uma cadeira, joguei uma cadeira no chão de ódio, entendeu? Eu fiquei com ódio mortal da rolha que foi cobrada, o desrespeito que foi. Acho que a rolha, tudo bem cobrar a rolha, não tem problema nenhum, eu poderia apagar a rolha, não há problema com isso. A questão é combinar antes, né?", disse.
Em outra gravação, Ed Motta chama o funcionário de “babaca”.
“Hoje eu desci o sarrafo porque um amigo fez uma pergunta pra ele e ele não respondeu. Simplesmente não respondeu. Eu falei: ele é assim mesmo, ele é um babaca.”
O RJ2 também teve acesso a áudios enviados em 2025, em que o cantor já reclamava do mesmo funcionário ao dono do restaurante. Nas mensagens, Ed Motta usa ofensas e ameaças.
"Eu tive uma noite horrivel ontem por conta desse cara. Na décima [vez], se eu for falar com ele, vai sair porrada. Porque é a Tijuca contra o Nordeste, né? Então, é tipo: 'pô cara, seu paraíba filho da p. entendeu? Você tá trabalhando com público, você não pode se comportar desse jeito.
Em outro trecho, o cantor afirma:
“A próxima é tipo pular o balcão e pegar ele.”
Ed Motta presta depoimento sobre confusão no Restaurante Grado
Depoimento
Ed Motta negou, em seu depoimento nesta terça-feira (15) na 15ªDP que fez ofensas xenofóbicas contra o barman do restaurante Grado, onde ele e um grupo de amigos se envolveram em uma confusão no último dia 2.
Em seu depoimento, o barman disse que Ed se dirigiu a ele dizendo "Vai tomar no c*, seu filho da put*, paraíba", entre outras ofensas.
À polícia, Ed disse que a acusação é "infudada", já que é neto de baiano e bisneto de cearense, possuindo "amplo respeito pelos nordestinos". O artista também disse que é gordo, negro e repudia qualquer tipo de preconceito.
Ed também afirmou que já teve problemas anteriores com o garçom: em algumas ocasiões anteriores, teria sido ignorado "sem qualquer motivo" ao perguntar sobre bebidas, o que também teria ocorrido com uma amiga sua.
'Desprestigiado'
Sobre o início da confusão, Ed disse que se sentiu “chateado e desprestigiado” ao ser cobrado da taxa de rolha no restaurante Grado. Ed negou ter ofendido qualquer funcionário e disse que não teve a “intenção de acertar qualquer pessoa” ao arremessar a cadeira no salão.
O g1 teve acesso aos termos de declaração do cantor sobre a confusão no restaurante, no Jardim Botânico, no último dia 2 — um como testemunha por lesão corporal, outro como autor de injúria por preconceito.
A delegada Daniela Terra, titular da 15ª DP, disse que ouvirá as testemunhas indicadas por Ed Motta nos próximos dias. O cantor indicou ao menos 3 pessoas que estavam na mesa no dia do incidente.
Além disso, o homem que jogou a garrafa e o dono do restaurante serão ouvidos nos próximos dias.
Ed Motta na saída do depoimento na 15ªDP (Gávea).
Rafael Nascimento/ g1
Outros destaques do depoimento
Ed declarou que é cliente do Grado “há cerca de 9 anos” e que “divulgou o estabelecimento em suas redes sociais diversas vezes”.
O cantor afirmou que “sempre leva sua própria garrafa de vinho” e que “em nenhuma ocasião lhe foi cobrada a taxa de rolha, tendo em vista o elevado consumo”. Segundo Ed, o restaurante já lhe deu cortesia mesmo quando dividia mesa com amigos.
No dia 2, Ed e os demais ocupantes da mesa tinham levado 7 garrafas para o Grado, mas “nem todas foram consumidas”. “Para surpresa do declarante [Ed], foi cobrada a taxa de rolha; sentiu-se chateado e desprestigiado com o fato, tendo em vista que isso nunca ocorrera anteriormente”, diz o texto.
Ed foi reclamar com o gerente, que lhe respondeu que “a taxa foi cobrada em virtude de a mesa estar cheia”. O artista relatou que “ficou extremamente chateado, levantou-se e disse: ‘Nunca mais volto aqui’”.
“Ainda sob influência de emoção, pegou uma cadeira e arremessou-a ao chão, sem a intenção de acertar qualquer pessoa — a cadeira sequer danificou”, prossegue o termo.
O cantor acrescentou que, “em virtude de seu tamanho, esbarrou em uma mesa onde havia dois casais” e notou que, “por conta desse esbarrão, uma bolsa de umas das ocupantes da mesa caiu ao chão”.
Ed afirmou também que “na mesma noite enviou mensagens o sócio do estabelecimento, dizendo que não gostou do atendimento” e que só soube do fim da confusão — com mais xingamentos e agressões — na manhã seguinte.
Ed Motta na chegada à delegacia para prestar depoimento
Rafael Nascimento/ g1
Relembre o episódio
Ed e amigos se desentenderam com funcionários e outros frequentadores. Uma das pessoas que acompanhava o cantor, Nicholas Guedes Coppim, é investigado por dar um soco e arremessar uma garrafa durante a confusão. Ele responde por lesão corporal.
Segundo um depoimento à polícia, a garrafa bateu na parede à frente e estilhaçou. Ela tinha sido arremessada com tanta força, diz o depoimento, que chegou a quebrar um relógio na parede. A garrafa tinha mais quase que o dobro de tamanho de uma garrafa normal.
Ed é investigado por injúria por preconceito contra um funcionário. O crime prevê pena de reclusão de 1 a 3 anos.
Um funcionário da casa relatou em depoimento na delegacia que Ed Motta fez ofensas xenofóbicas contra nordestinos. O cantor teria dito ao barman da casa: "Vai tomar no c*, seu filho da put*, paraíba", entre outras ofensas. Um relato do funcionário também foi exibido no Fantástico.
Ed Motta presta depoimento sobre confusão em restaurante
Rafael Nascimento/ g1
Taxa de rolha
Ed Motta é esperado para depor nesta terça sobre confusão no Grado
Os desentendimentos começaram por causa da cobrança de taxa de rolha da casa. O barman explicou que Ed Motta não costumava pagar a taxa quando ia sozinho ou somente com a esposa ao estabelecimento mas que, como havia mais seis pessoas na mesa, a taxa foi cobrada, o que deixou o artista descontente com a situação. Outros funcionários também corroboraram o relato em depoimentos à polícia.
Um dos homens que estava com Ed, Nicholas Guedes Coppim, teria perguntado, em tom irônico: "Você gosta de mulher ?", o que deixou o funcionário constrangido.
Nesse momento, Ed teria dito: "Olha, o babaca está rindo. Nunca vi esse babaca rindo. Está sempre de mal com a vida, esse paraíba". Em seguida, o cantor teria colocado a taça de vinho no balcão e acrescentado: "Vou embora antes que eu faça alguma coisa com um desses paraíbas", antes de se levantar e dizer: "Cambada de paraíba". Depois, ainda teria se virado para o funcionário e falado: "Vai tomar no c* seu filho da put* paraíba".
Imagens mostram que o cantor ainda jogou uma cadeira, que não atingiu ninguém.
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Ed Motta atira cadeira em restaurante do Rio
Reprodução
A confusão, que começou por um desentendimento entre pessoas que estavam na mesa de Ed e funcionários, posteriormente, passou a envolver frequentadores da mesa ao lado. Imagens e depoimentos indicam que uma pessoa desta mesa foi agredida com uma garrafada e um soco.
Os agentes da 15ª DP (Gávea) investigam se houve dois crimes: a lesão corporal contra uma pessoa da mesa vizinha à do cantor, investigação na qual o Ed Motta está classificado como testemunha; e injúria por preconceito, onde ele seria autor.
A defesa de Ed Motta negou agressão por parte dele e disse ao Fantástico que o artista saiu indignado devido ao atendimento.
O advogado de Nicholas Guedes Coppim, que é investigado por lesão corporal, afirmou ao Fantástico que o cliente está à disposição das autoridades, assim como a defesa de Diogo Couto, que também estava envolvido na confusão. A defesa de Diogo disse que o cliente repudia qualquer ato de violência.





