A equipe de transição do governador eleito, Rodrigo Rollemberg, demonstrou preocupação com a situação do novo prédio. Isso porque, com a estrutura inaugurada, o GDF passa a assumir um gasto mensal de, no mínimo, R$ 17 milhões com o aluguel, mesmo que o prédio não funcione, já que não foi prevista no consórcio para construção do local a compra de mobiliário. Além disso, o compromisso aumenta ainda mais o rombo de R$ 3,8 bilhões encontrado pela equipe.
Para o governador eleito Rodrigo Rollemberg, a situação demonstra a “irresponsabilidade” da atual gestão do Distrito Federal.
— É um absurdo que um governo que teve quatro anos para providenciar o mobiliário desse centro esteja recebendo o local sem estar pronto, sem condições de uso, e que vai gerar uma despesa grande mensal para o Distrito Federal. É esse tipo de irresponsabilidade que levou o DF ao desequilibro financeiro que nós temos.
Rollemberg também criticou a forma como o habite-se da obra foi conseguido. Segundo ele, várias pessoas foram demitidas ou precisaram se demitir por conta da pressão para que o documento fosse liberado a tempo de ser inaugurado ainda neste ano, antes de sua posse.
— O engenheiro responsável pela obra nos informou que precisaria mais 90 dias para conclusão da obra. Há uma recomendação explicita do Ministério Público do DF para que o governo não desse o habite-se, porque tem uma série de exigências que não foram cumpridas.
As parcelas mensais serão pagas pelo GDF durante 21 anos. Contudo, o atual secretário da Casa Militar, coronel Rogério Leão, garante o dinheiro economizado do aluguel de vários imóveis que hoje abrigam órgãos públicos será suficiente para saldar a dívida. Só depois deste período que o órgão se tornará patrimônio público do Distrito Federal.
— Uma obra desse tamanho e o Distrito Federal não pagou um centavo até hoje. Essa é uma modalidade que o Brasil tem que seguir como exemplo, a parceria do público com o privado. Toda a segurança [do local] está a cargo do consórcio, toda a limpeza está a cargo do consórcio, todo benefício oferecido e uma vez tendo ganho serão repassados, em contrapartida do Distrito Federal, ao consórcio. Isso significa economia ao Distrito Federal.
O local conta com 14 prédios no total – dez de quatro andares e quatro de 15 andares –, um prédio de governadoria com 7.541 m², centro de convivência, centro de convenções, marquise de 1.687 m², 61 mil m² de área verde. Apesar de esperar que o novo Centro Administrativo abrigue 15 mil servidores, o GDF construiu apenas 3 mil vagas de estacionamento e bicicletário, porque a ideia é que eles usem o transporte público.
O novo Centro Administrativo terá também um shopping com bancos, restaurantes e supermercado para atrair visitantes para a sede do governo. De acordo com o governo do DF, 96% do empreendimento está pronto e segunda etapa tem prazo contratual para ser entregue até junho de 2015.
O Governo do Distrito Federal foi procurado pelo R7 DF para comentar as declarações de Rodrigo Rollemberg, mas não respondeu aos questionamentos da redação até a publicação desta matéria.
Consórcio Em nota, o Consórcio Construtor, responsável pela obra do Centro Administrativo, disse que o complexo foi entregue e está apto a operar do bloco A ao L, o que representa 56% do empreendimento, “quase o dobro do percentual previsto pelo acordado em contrato”. Segundo a empresa, os serviços de água, luz e ar condicionado estão em funcionamento. Ainda de acordo com o Consórcio, por se tratar de uma PPP (parceria público privada), está prevista a operação e manutenção do complexo sob responsabilidade da Centrad, Concessionária do Centro Administrativo do Distrito Federal, formada por Odebrecht Properties e Via Engenharia. Durante 21 anos a empresa fornecerá serviços de limpeza, segurança e jardinagem. Ao final da concessão, o CADF será incorporado ao patrimônio da Terracap (Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal).






