Uma complexa rede de empresas e operadores financeiros vincula o empresário Henrique Vorcaro e seu filho Daniel Vorcaro à arrematação do Hospital Beneficência Portuguesa, segundo mais antigo de Porto Alegre (RS). O prédio centenário, avaliado judicialmente em mais de R$ 70 milhões, foi entregue por R$ 41 milhões em um processo com indícios de utilização de uma fraude trabalhista para viabilizar o leilão.
O hospital pertencia à Associação Portuguesa de Beneficência (APB), que vem em processo de insolvência (a falência de uma entidade sem fins lucrativos) desde 2007. A associação passou a deixar de se defender em diversos processos trabalhistas em 2022. Ao invés disso, firmava acordos que o Ministério Público do Trabalho (MPT) classificou como “possíveis lides simuladas para constituição de créditos fictícios com vistas a prejudicar terceiros e/ou enriquecer ilicitamente”.
Em ao menos três desses acordos, o MPT se manifestou pela não homologação, apontando coincidências inverossímeis, como ajuizamento na mesma data pela mesma advogada, mesmos períodos de suposta inadimplência salarial (20 meses) e valores elevados tanto para a causa quanto para os acordos.
Tais os acordos foram homologados mesmo assim, inflando de forma artificial o valor executado contra o hospital. E, diante do crescimento da dívida, a Justiça do Trabalho determinou que o prédio fosse a leilão na modalidade venda direta por iniciativa particular.




