"Tem alguns estudos mais de monografia de policiais que definem alguns parâmetros mínimos [sobre número das tropas], mas ele não existe fixado. Como existe, hoje, é só uma referência legal para autorizar concurso, mas não está baseado em nenhum parâmetro, um estudo de planejamento de mais longo prazo", diz Lima.
Dados do Anuário da Segurança Pública, divulgados pelo FBSP em julho, indicam que a criminalidade tem ocorrido mais no ambiente virtual em forma de golpes do que em crimes patrimoniais nas ruas, como roubos e furtos. O Fórum considera que os números de efetivos das polícias parecem correr contra essa tendência da criminalidade.
"Quando eu pego e não tenho investimento suficiente em política investigativa, toda a discussão sobre estelionatos no Anuário da Segurança parece que não faz parte desse debate", critica o diretor-presidente do Fórum.
Os destaques do Raio-X das Forças de Segurança:
GCMs puxam alta de 3% na quantidade de agentes de segurança no país, com alta de 13% entre os guardas. PMs sobem 2% e as polícias civis, 1%. Polícia Federal (-3%) e Polícia Rodoviária Federal (-4%) registram queda no efetivo de 2023 para 2025. Ao todo, o Brasil tem 818 mil profissionais das forças de segurança;
Quase 1,4 mil municípios brasileiros possuem Guarda Civil Municipal. Tropa supera os 100 mil agentes e já é a 2ª maior em números no país — perde apenas para as Polícias Militares;
44 municípios possuem efetivos de guardas maiores do que é permitido pela lei;
Tropa de policiais militares tem déficit de 35% em relação ao definido pelos próprios estados;
País tem um PM para cada 21 km², em média. No Amazonas, número sobe para um profissional a cada 180 km²;
Mulheres ocupam apenas 7% dos postos de comando das PMs;
Efetivo das polícias civis tem defasagem de 45% em relação ao necessário para atuação;
País tem menos de um bombeiro em média para cada mil habitantes: número é 0,3. Tropa no DF tem um bombeiro para cada km², enquanto o número é de um profissional para cada 1.168 km² no Amazonas;
Quantidade de policiais penais, os agentes penitenciários, caiu 3% de 2023 a 2025, enquanto a quantidade de presos subiu 6% no mesmo período;
Gastos totais com remuneração da segurança pública estadual (entre servidores ativos e inativos) são de R$ 230 bilhões anuais, o equivalente a 1,8% do PIB previsto para 2025.
Viatura da Polícia Militar do Tocantins, a que tem menor percentual entre tropa efetiva e o total previsto por lei
PM/Divulgação