Aterro sanitário onde trabalhador morreu no DF tem falhas graves, diz relatório
O mecânico Anderson Araújo morreu após ser atropelado por um trator enquanto trabalhava no Aterro Sanitário de Samambaia, no Distrito Federal, no último sábado (1°). Ele completava 44 anos no dia do acidente. O motorista do trator tem 26 anos e chegou a ser preso por homicídio culposo, mas foi solto após pagar fiança.
Os perigos nesse aterro já foram alertados anteriormente. Um relatório técnico apontou que os trabalhadores correm riscos graves no local (veja detalhes mais abaixo).
A técnica em segurança do trabalho Raimunda Renata Rodrigues fez recomendações, e o relatório foi encaminhado à Sustentare, empresa responsável pela operação do aterro, no dia 4 de maio.
"Eu não recebi uma resposta de que algum daqueles riscos que eu fiz apontamento iam ser sanados. Tem três parágrafos dentro do relatório que fala m só sobre o risco de atropelamentos, esmagamento, queda de caminhão. É um serviço dinâmico e muitas das vezes as pessoas estão na frente de serviço com caminhão em movimento, próximo a caminhão, que esses caminhões de toneladas podem ter tombamento", diz a técnica.
A TV Globo entrou em contato com a Sustentare e não recebeu resposta.
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Trabalhadores em risco
Trabalhadores em aterros sanitários no DF
TV Globo
Veja algumas das falhas apontadas pelo relatório, em maio:
funcionários circulam em áreas de movimentação de máquinas sem uniformes sinalizados e, em alguns casos, sem equipamentos de proteção individual, como máscaras;
funcionários andam em locais com resíduos e poeira contaminada;
veículos andam acima do limite de 30 quilômetros por hora dentro do aterro;
trabalhadores ficam entre caminhões durante as manobras de descarga;
há ausência de procedimentos formais para atividades de risco e falhas na fiscalização de empresas terceirizadas;
banheiros químicos estão sem condições de uso, sem água, sabão e papel higiênico, chuveiros sem água quente e vestiários deteriorados;
extintores estão sem substituição e há estoque insuficiente de equipamentos de segurança;
riscos biológicos causados pela presença excessiva de pombos na oficina;
trabalhadores exercem atividades diferentes das previstas para suas funções.
Morte de trabalhador
Vítima foi identificada como Anderson Araújo, que completava 44 anos.
Reprodução/Arquivo Pessoal
De acordo com o Serviço de Limpeza Urbana (SLU), Anderson Araújo era funcionário de uma das empresas que integram o Consórcio Sustentare/Valor Ambiental, responsável pela operação do aterro.
Anderson foi atropelado por um trator e o Corpo de Bombeiros foi acionado, às 8h56 de sábado. Quando as equipes chegaram, ele já apresentava ferimentos incompatíveis com a vida.
