Os moradores ribeirinhos atuam como verdadeiros sentinelas da natureza. Eles observam o comportamento dos peixes-bois perto de suas casas e repassam as informações aos biólogos.
Além disso, uma rede de informantes, que reúne pescadores artesanais, comunidades tradicionais e órgãos ambientais, avisa rapidamente os cientistas sempre que um animal é avistado em situação de risco ou encalhado nas praias.
Esse esforço comunitário não serve apenas para salvar vidas no dia a dia, mas também abastece de dados os principais instrumentos de preservação do governo federal.
Fortalecendo a gestão
Apesar da relevância científica, manter uma estrutura de pesquisa ativa na Amazônia exige recursos e estabilidade financeira. Para garantir que as expedições de campo, os resgates e o trabalho com as comunidades não parem por falta de verba, o Instituto Bicho D'Água está profissionalizando sua gestão.
A organização é uma das selecionadas para a segunda edição do Impulso PRIO, programa de aceleração promovido pela empresa PRIO em parceria com a Ago Social.
Ao longo de 11 meses, os cientistas Renata Emin e Reginaldo Medeiros participam de mentorias e capacitações no Rio de Janeiro, focadas em captação de recursos, comunicação e governança.
O objetivo é transformar a excelência científica do instituto em uma estrutura administrativa sólida e autônoma.
"Não se trata apenas de apoiar projetos, mas de contribuir para que eles se tornem mais estruturados, sustentáveis e capazes de crescer com autonomia. Queremos que esse impacto passe a ser contínuo", afirma Olivia Stewart Richardson, Head de Comunicação e Marketing da PRIO.
Para a equipe de pesquisadores do Pará, a expectativa é de que a estruturação garanta um futuro mais seguro para o projeto e, consequentemente, para as espécies que eles protegem.
"Estamos confiantes de que, em breve, vamos alcançar a sustentabilidade das nossas atividades. Isso nos permitirá engajar cada vez mais pessoas na conservação da biodiversidade amazônica", afirma Renata Emin.
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