Empresário acorda há 10 anos às 4h para alimentar cerca de 200 animais abandonados
O empresário e profissional de Educação Física José Valvenarque Bezerra, de 65 anos, mantém há cerca de dez anos uma rotina que começa antes do amanhecer em Pio IX, a 440 km de Teresina. Desde 2016, ele alimenta diariamente cães e gatos abandonados nas ruas, estradas e áreas do entorno do município.
Segundo Valvenarque, o trabalho exige organização e compromisso diário. Ele acorda por volta das 4h para separar sacolas com ração, recipientes com água e medicamentos básicos para os diferentes pontos onde os animais costumam esperar por ele.
“Eles já sabem o horário, se aproximam, vão comer e eu fico olhando um por um para ver se tem alguma doença, bicheira ou outro problema. Quando necessário, peço ajuda a veterinários, que nos orientam e ajudam no tratamento”, contou ao g1.
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De acordo com ele, atualmente são assistidos entre 170 e 180 gatos e 30 a 50 cães. Parte dos animais vive no centro da cidade e já se acostumou à presença dele e de dois colaboradores que participam da rotina.
“Todos os cachorros abandonados do centro nos conhecem. A gente coloca alimento todos os dias e eles vêm. Já os gatos costumam ser mais difíceis, principalmente os que são deixados nas estradas e chegam assustados”, afirmou.
José Valvenarque Bezerra
Reprodução/Arquivo Pessoal
Filhotes abandonados
Valvenarque relata que o abandono de filhotes é uma das situações que mais o sensibilizam. Segundo ele, cães costumam aceitar ajuda mais rapidamente, enquanto gatos tendem a permanecer escondidos por mais tempo.
“Quando o abandono é de um cão, ele logo se aproxima. Se for filhote, às vezes colocamos um pouco de leite na boca para ele associar aquele momento a algo bom, como se estivesse sendo amamentado. Os gatos precisam de mais tempo para confiar”, explicou.
Ele conta que muitos gatos abandonados sobem em árvores ou se escondem ao chegar aos locais onde já existem outros animais. Para conquistar a confiança deles, costuma deixar pequenas porções de alimento em pontos mais altos até que se sintam seguros para descer.
José Valvenarque Bezerra
Reprodução/Arquivo Pessoal
‘Não pode falhar’
O empresário compara a rotina de cuidados à criação de um filho. Segundo ele, qualquer viagem ou problema de saúde exige que outra pessoa assuma temporariamente a tarefa.
“É um compromisso que você tem que ter. Se adoecer ou precisar viajar, já tem que deixar alguém responsável, porque eles esperam pela gente e a gente não pode falhar”, disse.
Além da alimentação, ele tenta acompanhar a saúde dos animais, aplicando medicamentos antiparasitários quando consegue se aproximar deles e buscando orientação profissional para casos mais graves.
Energia recíproca
Para Valvenarque, o vínculo criado ao longo dos anos tornou impossível abandonar a atividade. Ele afirma que o contato diário com os animais mudou sua percepção sobre o sofrimento causado pelo abandono.
“Você começa a descobrir as dores deles. O retorno em forma de energia é maravilhoso. Só compreende esse sentimento quem convive com animais. Quando você começa um trabalho desses, não há como largar, porque é uma energia recíproca”, disse.
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