Ferido no peito após tentar impedir o assassinato de dois colegas, o supervisor Edvaldo Santos da Silva, de 44 anos, ainda pediu socorro e falou sobre os filhos antes de perder a consciência dentro da fábrica da Bombril, na manhã de sábado (1º/8), em São Bernardo do Campo, ABC, na região metropolitana de São Paulo.
“Me ajuda. Eu tenho dois filhos. Me socorre, pelo amor de Deus!”, disse Edvaldo a um funcionário que tentava conter o sangramento, segundo depoimento registrado pela Polícia Civil.
Edvaldo não seria um dos alvos iniciais de Claudio Henrique da Silva, de 33 anos. Ele entrou no caminho do agressor ao perceber que o operador de empilhadeira Douglas de Souza Vieira, 39, era esfaqueado.
11 imagensFechar modal.1 de 11Douglas era torcedor fanático do São PauloArquivo Pessoal2 de 11Edvaldo tentou impedir violência e acabou também morto Reprodução/Redes Sociais3 de 11Claudio Henrique da Silva matou colegas e depois se suicidou em delegaciaReprodução/Arquivo Pessoal4 de 11Douglas era casado e deixa filho e enteadoReprodução5 de 11José Guilherme foi morto a facadas por colega no ABCReprodução/Redes Sociais6 de 11Trio morto a facadas trabalhava com autor do crimeArte/Metrópoles7 de 11Viaturas policiais em frente ao 2º DP de São Bernardo, em Rudge RamosEnzo Marcus/Metrópoles8 de 11Fábrica da Bombril em São Bernardo do CampoImagem cedida ao Metrópoles/TV São Bernardo9 de 11Fábrica da Bombril em São Bernardo do CampoImagem cedida ao Metrópoles pela TV São Bernardo10 de 11Unidade da Bombril na Via Anchieta, em São Bernardo do CampoReprodução/Google Street View11 de 11Reprodução/Redes Sociais
Cadeira contra faca
Funcionários começaram a gritar pelo nome de Edvaldo assim que o ataque teve início, pouco antes das 6h.
Ao chegar no local, o supervisor encontrou Claudio golpeando Douglas pelas costas. Edvaldo então pegou uma cadeira, lançou-a contra o agressor e mandou que ele parasse. A tentativa não conteve a violência.
Douglas correu em direção às escadas e tentou alcançar o andar inferior. Claudio foi atrás dele, ainda armado. A vítima caiu durante a fuga e voltou a ser esfaqueada.
Em meio ao ataque, Edvaldo também foi atingido por uma facada no lado esquerdo do peito.
Último pedido
Um dos trabalhadores ouviu alguém gritar que Edvaldo estava sangrando. Ao encontrá-lo, pressionou o ferimento na tentativa de estancar o sangue. Foi nesse momento que o supervisor pediu ajuda e mencionou os dois filhos. Em seguida, perdeu a consciência.
Quando percebeu que Edvaldo já não reagia, o funcionário olhou em direção à escada e viu uma terceira vítima — o conferente José Guilherme Victoriano de Moura, de 54 anos — caída e desacordada perto de um banheiro.
Os três morreram dentro da fábrica. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) constatou a morte de José Guilherme às 6h38, de Edvaldo às 6h40 e a de Douglas às 6h42.





