Conheça a história da Maria Heloíse, diagnosticada com a doença ainda na gestação
Aos dois meses de vida, Maria Heloíse já passou por um procedimento no coração e tem uma história diferente da maioria dos bebês. O diagnóstico veio quando ela ainda estava na barriga de Daniela Castro da Silva, de 33 anos, durante um exame morfológico e mudou completamente os planos da família.
A menina foi diagnosticada com uma cardiopatia congênita, condição caracterizada por alterações na estrutura ou no funcionamento do coração que surgem ainda na formação do bebê e podem comprometer a circulação do sangue e a oxigenação do organismo.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 AC no WhatsApp
Segundo Daniela, como o Acre não possui estrutura para atender casos de alta complexidade como o da filha, ela e o marido Gelson Lopes, de 42 anos, viajaram para São Paulo para que a filha nascesse em um hospital especializado.
"Eu estava no sétimo mês de gestação quando a médica falou que a nossa filha tinha cardiopatia. Ela explicou que a Maria Heloíse não poderia nascer aqui porque o estado não tinha estrutura para receber um bebê cardiopata", relembrou.
A família, então, embarcou para São Paulo em 20 de abril por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS).
Daniela Castro da Silva e Gelson Lopes acompanham Maria Heloíse durante internação em hospital de São Paulo, onde a bebê recebeu tratamento para cardiopatia congênita
Arquivo pessoal
Dias depois, Daniela precisou ser internada porque a diabetes tipo 1, diagnosticada em 2022, permanecia descompensada durante a gestação. Mesmo com acompanhamento médico, os níveis de glicemia não estabilizaram e a equipe decidiu antecipar o parto.
Maria Heloíse nasceu em 15 de maio, com 35 semanas de gestação e pouco mais de dois quilos. Logo após o nascimento, foi encaminhada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal.
LEIA MAIS:
Doença genética ultrarrara faz irmãos perderem movimentos de forma progressiva no AC: 'Difícil assistir filhos enterrando sonhos'
Mãe descobre catarata congênita em bebê após notar alteração nos olhos da filha no Acre: 'Meu mundo desabou'
Bebê do Acre com cardiopatia rara tem alta da UTI em SP: 'Dias angustiantes'
Inicialmente, a expectativa da equipe médica era de que Maria Heloíse recebesse alta para ganhar peso antes da cirurgia corretiva definitiva, considerada mais complexa.
No entanto, de acordo com Daniela, exames feitos após o nascimento mostraram que a artéria responsável por levar sangue aos pulmões estava praticamente se fechando.
Maria Heloíse ficou internada em uma UTI neonatal após o nascimento e passou por um cateterismo cardíaco para melhorar a oxigenação
Arquivo pessoal
Com isso, a bebê não conseguia respirar sem auxílio de oxigênio. "Tentaram tirar o oxigênio duas vezes, mas ela não conseguiu. Foi quando descobriram que a artéria que leva o sangue para o pulmão estava quase fechando", contou.
Diante da piora do quadro, os médicos optaram por um cateterismo cardíaco, procedimento minimamente invasivo no qual um tubo fino é introduzido por um vaso sanguíneo até o coração.
Durante a intervenção, a equipe implantou um stent, pequena estrutura metálica expansível, para manter a artéria aberta, aumentar o fluxo de sangue para os pulmões e melhorar a oxigenação da bebO acesso precisou ser feito na bebê pelo pescoço.
"O médico explicou que era um procedimento delicado, mas disse que já tinha feito outros casos parecidos. Isso deu mais confiança para a gente. Quando vieram avisar que tinha dado tudo certo, foi um alívio. Só uma mãe sabe o que é ouvir essa notícia depois de tanto medo", relatou.
Aos dois meses, Maria Heloíse segue em acompanhamento médico e deve retornar a São Paulo para a cirurgia corretiva no coração
Arquivo pessoal
Ainda de acordo com Daniela, a resposta da filha ao procedimento foi rápida. "Ela respondeu muito bem, conseguiu deixar o oxigênio e hoje respira bem. É como se tivesse ganhado uma nova chance de viver'', destacou.
Retorno e nova cirurgia prevista
Após a recuperação, Maria Heloíse recebeu alta e voltou com a família para Rio Branco no dia 4 de julho, onde segue em acompanhamento médico para ganhar peso e força antes da cirurgia cardíaca definitiva.
A previsão é que ela retorne a São Paulo em janeiro de 2027 para passar pelo procedimento corretivo de peito aberto, que deverá reparar as alterações provocadas pela cardiopatia.
"Os médicos queriam que ela ganhasse mais peso antes dessa cirurgia maior. O cateterismo foi necessário porque ela já não conseguia respirar sozinha. Agora estamos vivendo um dia de cada vez e acompanhando tudo direitinho", afirmou a mãe.
Daniela Castro da Silva descobriu a cardiopatia congênita da segunda filha durante um exame morfológico no sétimo mês de gestação
Arquivo pessoal
Além de Maria Heloíse, Daniela e Gelson também são pais de Bianca Castro, de 12 anos, que nasceu sem problemas cardíacos.
Daniela acredita que o diagnóstico precoce foi determinante para que a filha tivesse acesso ao tratamento especializado.
"Se a gente não tivesse descoberto durante a gravidez, talvez não desse tempo de fazer toda essa transferência. Hoje, olhar para ela respirando bem é um sentimento que não tem explicação'', completou
O que é a cardiopatia congênita?
A cardiopatia congênita é uma malformação que afeta a estrutura ou o funcionamento do coração e se desenvolve ainda durante a gestação.
As alterações podem comprometer o fluxo de sangue entre o coração, os pulmões e o restante do corpo, fazendo com que o organismo receba menos oxigênio.
Em alguns casos, o diagnóstico pode ser feito ainda na gravidez, por meio do ultrassom morfológico e do ecocardiograma fetal. Dependendo da gravidade, o bebê pode precisar de acompanhamento especializado, procedimentos por cateter ou cirurgias logo nos primeiros meses de vida.
VÍDEOS: g1




