Vitrais da Igreja da Candelária passam por restauro
João Ricardo Gonçalves/g1
O projeto de recuperação começou depois que a Irmandade do Santíssimo Sacramento da Candelária procurou o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade para falar sobre a necessidade de restauração dos vitrais.
O projeto teve apoio da Fundação Gerda Henkel. "Entramos em contato com o consulado da Alemanha e explicamos que os vitrais são um patrimônio brasileiro e alemão. Aceitaram ajudar na mesma hora", explica o gerente de Arqueologia do IRPH, Helder Magalhães Viana.
"São vitrais do século XIX concebidos por um artista importante, professor da Escola Imperial de Belas Artes, que é o João Zeferino da Costa, que coube fazer toda a decoração interna da Igreja Nossa Senhora da Candelária. Esses vitrais integram essa composição artística, com uma composição junto com uma pintura da parede, como se fossem inseridos no mesmo tema", acrescenta.
Para Justino Carvalho Neto, secretário da Irmandade do Santíssimo Sacramento da Candelária, a recuperação dos vitrais vai além da preservação de obras de arte. Segundo ele, o projeto também representa uma forma de proteger parte da memória e da identidade cultural do Rio.
“Quem entra na Igreja da Candelária se encanta com sua arquitetura, sua história e, principalmente, com a beleza dos seus vitrais. Essas obras de arte acompanham gerações de cariocas e visitantes há mais de um século”, afirma.
Processo de restauração
Vitrais do coro da Candelária antes do trabalho de restauração, com buracos causados por pedradas
Divulgação/Igreja da Candelária
O processo de restauração inclui limpeza e consolidação de pinturas fragilizadas – os olhos da santa e do Menino Jesus, por exemplo, estavam "opacos". As empresas contratadas para os trabalhos foram a Luidi e Luiza Vitrais e Jequitibá Restauro.
Como em vários lugares do conjunto há "buracos" formados pelas pedradas que a obras sofreu, também foi necessário importar mais vidro da Alemanha e pintá-lo de forma compatível com o que estava preservado. O material é levado também ao forno para diminuir eventuais espaços entre ele e o vidro original.
A prioridade dos especialistas, porém, é tentar o máximo de originalidade possível da peça. "Existe uma porcentagem do trabalho que você consegue fazer sem precisar ficar trocando vidros novos, o que acaba tirando a originalidade da peça. Então, quanto mais original ela for, mais valorização ela tem e menos a história também a gente perde", diz Eliana Leandro Gonçalves Lemos, da empresa Luidi e Luiza Vitrais Ltda.
Para evitar a repetição dos episódios de vandalismo, o projeto contempla a instalação de vidraças de proteção com sistema isotérmico de ventilação e telas metálicas, solução amplamente adotada na Europa.





