Somente uma Câmera Operacional Portátil (COP) da Polícia Militar (PM) gravou a ação que resultou na morte de um homem rendido em Cidade Ademar, na zona sul de São Paulo, em 4 de maio. O equipamento, no entanto, foi acionado tardiamente, e flagrou apenas o último de ao menos oito disparos efetuados.
Quatro tiros acertaram Paulo Henrique Alves do Nascimento, de 20 anos. Ele estava com outro homem em um GM/Montana quando colidiram contra uma viatura da PM após uma breve perseguição que acabou na rua Claudio Muzio, em Cidade Ademar, segundo o boletim de ocorrência.
Conforme o registro policial, Paulo permaneceu no banco do passageiro do carro e portava uma arma de fogo quando foi alvejado. As imagens mostram, contudo, que o rapaz estava rendido, com as mãos posicionadas sobre o painel do carro. O outro suspeito saiu do veículo e foi preso em flagrante.
Um morador testemunhou a abordagem e gravou a ação em um vídeo. Veja:
Nas imagens, é possível ouvir ao menos oito disparos efetuados por um policial das Rondas Ostensivas Tobias Aguiar (Rota). Todos os agentes usavam a COP, como informa o boletim, mas somente uma das câmeras ajuda a compreender a dinâmica dos fatos, concluiu a Polícia Civil, que apura o caso. Essa câmera registrou apenas o último disparo efetuado.
Após ser cobrada sobre as gravações dos equipamentos dos outros policiais, a PM informou ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) que as COPs operam somente com o acionamento do próprio policial militar. Ao serem acionadas, as câmeras recuperam os 90 segundos anteriores. O agente, então, teria ligado o equipamento cerca de um minuto e meio após os tiros que tiraram a vida de Paulo.
Rota enviou imagens do ano passado
A Rota chegou a enviar imagens de câmeras corporais após solicitação da Polícia Civil, mas o conteúdo se referia a uma ocorrência de junho do ano passado.
Informada do erro pelos investigadores, a corporação encaminhou um vídeo incompleto da ocorrência, como apontou o advogado à Justiça.
Após as inconsistências no envio das imagens, o advogado pediu que sejam apuradas possíveis fraude processual ou supressão de documento por parte da Rota, crimes previstos no Código Penal.
Desde o apontamento das incoerências, a PM não se manifestou mais nos autos, conforme apurou o Metrópoles.
PMs foram afastados das ruas, diz SSP
À época, a SSP informou a reportagem que os policiais militares foram afastados do serviço operacional. Não foi informado o número de agentes envolvidos na ocorrência e nem se todos eles receberam a mesma punição. As armas dos policiais foram apreendidas e passam por perícia, e as imagens captadas pelas câmeras corporais estão sendo analisadas, disse a pasta na semana do ocorrido.
Ainda segundo a secretaria, foram apreendidos uma pistola calibre 9mm e porções de maconha, cocaína, crack e lança-perfume. O suspeito baleado morreu no Hospital Pedreira, também na zona sul paulistana. Testemunhas oculares afirmam, no entanto, que o rapaz foi retirado morto do local (veja vídeo acima).
Conforme a nota, todas as circunstâncias dos fatos são investigadas pelo DHPP, da Polícia Civil. Além disso, a PM instaurou um inquérito próprio para apurar a dinâmica da ocorrência. Exames periciais foram requisitados ao Instituto de Criminalística (IC) e ao Instituto Médico Legal (IML) para auxiliar nas investigações.





