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Diocese de Jundiaí suspende padre após lançamento de pré-candidatura a deputado federal

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Silvio atuava como pároco na paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Louveira (SP).

"Quero ser uma ponte entre a fé e a política. Como diz um irmão padre bastante conhecido, se os católicos não se envolverem com a política, a política poderá apagar o nosso direito de sermos cristãos. Carrego comigo uma inquietude, porque do jeito que está, não dá para ficar. E é por isso que depois de rezar, pensar, refletir, conversar com diversas pessoas", afirma no vídeo.

"A Diocese de Jundiaí, fiel à sua missão evangelizadora, vem a público recordar a natureza do ministério sacerdotal e as normas que regem a conduta dos clérigos na esfera civil, visando a preservação da unidade do Povo de Deus. O ministério ordenado é, por essência, um sinal de unidade. Como ensina o Concílio Vaticano II, o sacerdote deve ser promotor da paz e da concórdia, não se vinculando a ideologias de cunho político-partidárias", diz o texto.

Segundo a nota, a Igreja Católica, em sua legislação própria, estabelece que os clérigos devem abster-se de tudo que seja inconveniente ao seu estado, sendo proibidos de assumir cargos públicos que impliquem na participação de exercício do poder civil.

Bispo Dom Arnaldo Carvalheiro Neto, de Jundiaí (SP)
Diocese de Jundiaí/Divulgação
O texto ainda ressalta que a igreja valoriza a política como "forma alta de caridade", mas entende que o papel do clérigo é a formação das consciências e a assistência espiritual, cabendo aos fiéis leigos a atuação direta nas estruturas partidárias. Condutas que estejam em desacordo com estas normas ferem a disciplina eclesiástica e comprometem a missão da religão.

"O pronunciamento público do padre Silvio Andrei Rodrigues, ao apresentar-se como candidato a deputado federal, constitui ato de desobediência manifesta a tais normas canônicas, pois representa adesão ativa e pública à vida político-partidária, incompatível com o estado clerical e com as obrigações assumidas no ato da ordenação sagrada".

O padre recebeu a pena canônica de suspensão e está impedido de realizar qualquer ato do poder de ordem, inclusive a celebração de missas, administração dos sacramentos e entre outros atos litúrgicos, exceto a celebração privada da Santa Missa na presença de apenas um fiel.

Silvo também está proibido de assumir novos ofícios durante a vigência da pena, além de usar as vestes clericais durante toda a campanha e período eleitoral.

"A Igreja Particular de Jundiaí, como instituição, não lança, não apoia e não patrocina candidaturas político-partidárias, em fidelidade à sua natureza e missão. Qualquer manifestação do sacerdote no contexto eleitoral não se realiza em nome da Igreja, nem a representa, nem a ela vincula. A sua candidatura é estritamente pessoal e político-partidária, sem qualquer legitimação ou vinculação eclesial", ainda ressalta o texto.

O que diz o padre
Em nota enviada ao g1, o padre Silvio Andrei afirma que vai "abraçar" o novo momento de sua vida sacerdotal, rezando por cada seguidor e fiel da comunidade católica, carregando valores inegociáveis em defesa da vida, família e liberdade da expressão religiosa.
"O meu posicionamento é de respeito e agradecimento, sobretudo quando o senhor bispo exorta a todos que rezem por mim. A oração mantém a nossa comunhão e fortalece a nossa missão. Não se trata de uma ruptura e sim de uma ampliação do ministério sacerdotal, como ponte entre estas duas realidades imprescindíveis entre fé e política", disse.

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