O mundo está mais fragmentado, mais competitivo e menos regido por regras multilaterais. O desconforto entre as grandes potências passa a uma rivalidade mais ativa e as disputas se acirram. Cresce tanto o uso de instrumentos de força para benefícios comerciais, como o uso do comércio para benefícios geopolíticos. A evolução exponencial das novas tecnologias, particularmente a inteligência artificial e a enorme demanda desta por energia e minerais críticos desencadeia uma corrida por cadeias produtivas estratégicas.
Os países industrializados buscam, ao menos, garantir suprimentos mais estáveis e confiáveis. Surge uma demanda de reorganização das cadeias produtivas, em que a resiliência e a segurança são protagonistas, mas a competitividade continua fundamental.
Esse contexto, que evidencia as fragilidades e os trunfos do Brasil, nos abre novas e relevantes possibilidades, baseadas não apenas em nossos atributos mais evidentes, como a abundância de recursos minerais e de energia renovável a preços competitivos, mas também na capacidade de assegurar a confiabilidade de suprimento e de parceria, tão necessária nesse cenário mais competitivo e incerto.
Roberto Jaguaribe, embaixador do Brasil na Alemanha, é ex-presidente da ApexBrasil





