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Mulher de homem que morreu após esperar por ambulância desabafa: ‘A vida toda, ajudou as pessoas. No dia que mais precisou, ninguém estendeu a mão’

Homem que morreu em rua de Catalão implorou por ajuda de moradores
A esposa de Rafael Vinicius Silva de Souza, de 35 anos, que morreu após esperar por ambulância por mais de 2 horas, em Catalão, no sudeste de Goiás, contou que o marido sempre foi uma pessoa solícita, disposta a auxiliar os outros. Para Keila Silva, de 48 anos, ele não recebeu o mesmo tratamento nos últimos momentos da sua vida.
"O meu sentimento é de dor, é de revolta. é de angústia, de tristeza. Porque a vida toda Rafael ajudou as pessoas. E no dia que ele mais precisou, ninguém o estendeu a mão", afirmou.
Em entrevista ao g1, Keila, que é enfermeira, relatou que, naquela noite de 20 de julho, ela chegou do serviço e não encontrou Rafael em casa. Permaneceu no local com a filha pequena do casal, de 5 anos. Só depois da morte dele ela soube o que aconteceu, através de um vizinho, mas não conseguiu assistir às imagens registradas por câmeras de segurança.

"Ele foi o primeiro a pegar o senhorzinho, ajudar o filho. Ele colocou dentro do carro dele e levou no hospital mais próximo", detalhou a esposa.
Trabalhador e pai exemplar
De acordo com a esposa, Rafael era caldeireiro. Ao g1, um funcionário de uma empresa de engenharia industrial de Catalão informou que ele trabalhou lá, nessa função, até setembro de 2025.

Segundo uma tia paterna, Keila Melo, que mora em Rondon do Pará, cidade-natal de Rafael, ele sempre foi trabalhador.
"E eu não sei como é que estava o último período dele, mas ele sempre trabalhou. Trabalhou de carteira assinada, ele tinha os trabalhos dele", disse a tia.
A esposa afirma que Rafael era um pai bondoso e exemplar. Com a perda do marido, Keila Silva agora também precisa lidar com a sua ausência na vida da filha. Segundo a tia, Keila Melo, a menina pergunta o tempo todo pelo pai.
"Muito difícil olhar para a minha filha agora, sabe? Porque tudo me lembra ele. assim, do bom pai que ele era, sabe? Do bom esposo. Só quem viveu com o Rafael sabe realmente quem ele era", disse.
Assim como a família do marido, que acompanha o caso do Pará, a enfermeira deseja que as circunstâncias da morte de Rafael sejam investigadas.
Ao g1, o Ministério Público de Goiás disse que a 6ª Promotoria de Justiça de Catalão instaurou um procedimento para apurar os fatos e que solicitou informações tanto ao Corpo de Bombeiros quanto ao Samu de Catalão. "Sendo assim, aguarda o recebimento dessas informações para, então, definir qual o encaminhamento será dado ao caso" , disse o MPGO, em nota.

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