Marido denuncia suspeita de negligência após mulher aguardar transferência em PS
Uma mulher de 57 anos, portadora de um tipo raro de Parkinson, morreu após aguardar três dias no Pronto-Socorro por uma transferência para a Santa Casa de Araçatuba (SP).
O marido da paciente denunciou à TV TEM a suspeita de negligência médica. Segundo Augusto Alves, sua esposa, Silvia Maria Domingues Francischini, foi levada ao Pronto-Socorro de Araçatuba na quarta-feira (22) após apresentar intensa secreção e ter dificuldade para deglutir. O diagnóstico inicial foi de pneumonia e infecção urinária.
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Em entrevista à reportagem, Augusto disse suspeitar de sucessivos erros das equipes da unidade de saúde.
“O primeiro absurdo, o médico me falou que o exame de laboratório havia ficado pronto, mas o de raio-x do tórax, que ele precisava, não tinha ficado pronto porque não tinha uma maca para tirar ela da cama, ali da emergência, e levar ela para o raio-x”.
Silvia Maria Domingues Francischini morreu em Araçatuba (SP)
Arquivo pessoal
Após a realização do raio-x, o esposo diz ter sido chamado pelo médico, o qual explicou que Silvia apresentava um quadro de pneumonia leve.
““A partir desse momento ele [médico] me falou: ‘Olha, estou solicitando agora o encaminhamento dela [paciente] para a Santa Casa para fazer uma tomografia, pois lá é um centro mais avançado de suporte para ela’”, contou o esposo.
Augusto Alves denuncia suspeita de negligência médica de Pronto-Socorro em Araçatuba (SP)
Reprodução / TV TEM
Entretanto, a transferência para a Santa Casa de Araçatuba ocorreu no domingo (26), após o esposo de Silvia procurar um advogado e conseguir uma liminar na Justiça. Durante o período em que a paciente foi assistida pelos profissionais do Pronto-Socorro, Augusto diz que o quadro da esposa piorou de maneira significativa.
“Na quinta-feira (23), ela [paciente] voltou a ficar com secreção, e fizeram mais aspiração e inalação para dar mais conforto. Só que, de quinta para sexta-feira (24), às 3h, ela começou a sentir muita falta de ar. Chamei alguém da enfermagem para reportar isso, e ela viu que a saturação voltou a cair e me disse: ‘Vou conversar com o médico plantonista para ver qual procedimento agora’. Ela retornou, com outra pessoa, e disse: ‘O médico pediu para levar ela lá para a emergência novamente’, e assim foi feito”, explicou.
Pronto-socorro municipal de Araçatuba (SP)
Divulgação
Procurada pela reportagem, a Secretaria Municipal de Saúde de Araçatuba, responsável pelo Pronto-Socorro, informou que a paciente foi assistida durante o período em que esteve na unidade. A Santa Casa, por sua vez, diz que não houve cancelamento do pedido de transferência. Leia a íntegra das notas abaixo.
Pouco tempo depois, o esposo notou que Silvia havia parado de responder aos estímulos e permanecia estática.
“Eu fui pedir informação sobre o porquê de ela ter perdido a comunicação, e não souberam me responder”, explica.
Santa Casa de Araçatuba (SP)
TV TEM / Felipe Nunes – Arquivo
Inconformado com a situação, ele procurou o advogado e, após a expedição da liminar, Silvia foi transferida para a Santa Casa. Conforme o esposo, após chegarem ao hospital, os médicos disseram que o quadro era irreversível, e ela teve o óbito confirmado às 11h de domingo.
“A liminar saiu no domingo e, por muita coincidência, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou quando ela já não estava mais respirando”, conta.
Augusto ainda denuncia ter recebido a informação de que, antes da determinação judicial, o pedido de transferência havia sido cancelado.
“Alguém, entre quinta e sexta-feira, pediu o cancelamento de vaga para ele, para ir para a Santa Casa. É por isso que eu observava, não sei se existe uma ligação, paciente que iam chegando depois dela, e iam para a Santa Casa. E ela ficava ali”, finaliza.





