Entenda por que não é possível prever microexplosão com antecedência
A microexplosão que causou destruição em pelo menos seis cidades da região de Ribeirão Preto (SP) na última sexta-feira (24) não foi detectada pelos radares meteorológicos e muito menos prevista. Segundo a meteorologista da Climatempo, Joséli Pegorim, este tipo de fenômeno é difícil de ser identificado, mesmo nos equipamentos mais modernos.
"Nós não conseguimos, tecnicamente, com todos os avanços que nós temos hoje, dar alertas de microexplosão ou de tornados com mais de 24 horas de antecedência. O que os meteorologistas conseguem antever é a possibilidade da formação de uma supercélula, mas onde, exatamente, ela vai se formar, só conseguimos ver através de imagens de radar meteorológico, imagens de satélite, pouco tempo antes de ela acontecer."
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as informações disponíveis na sexta-feira consistiam em registros pontuais de velocidade do vento, precipitação, descargas atmosféricas e relatos locais, variáveis que indicavam a ocorrência de tempestades na região.
Ribeirão Preto, Guariba, Taquaritinga, Dumont, Pradópolis e Barrinha foram afetadas. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), admitiu a dificuldade dos modelos meteorológicos atuais de prever fenômenos extremos.
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Barracão de empresa de amendoim destruído em Dumont (SP)
Marcelo Moraes/EPTV
Considerados fenômenos de tempo severo, tanto a microexplosão como o tornado são gerados em uma supercélula, que é uma nuvem muito carregada e de grande extensão. Mas nem ela é possível de ser identificada.
Ainda segundo a meteorologista, a dificuldade está no tipo de fenômeno em questão. Microexplosões ou tornados são fenômenos muito intensos e de uma duração muito pequena.
Árvore tombada durante temporal de sexta-feira (24) em Ribeirão Preto, SP
Luciano Tolentino/EPTV
Como ocorre a supercélula?
Na semana passada, as condições climáticas, que indicavam a chegada de uma frente fria na região Norte do estado de São Paulo, contribuíram para a formação de supercélula. Mas a meteorologista Josélia Pegorim explica que ela pode se formar independentemente da presença de uma frente fria.
"Uma supercélula pode se formar mesmo sem ter uma frente fria. Basta que você tenha uma atmosfera muito instável. Essas supercélulas, que são essas nuvens muito intensas, muito extensas, que podem gerar tornado ou microexplosão, podem se formar em um ambiente onde você tenha um ar muito quente e úmido junto com o ar seco e quente. Você pode ter essas situações, por exemplo, em um dia às vezes muito quente de verão, ou de primavera".
No caso específico da semana passada na região de Ribeirão Preto, o que causou a supercélula foi uma frente fria, que chegou com força ao estado de São Paulo.





