As férias escolares representam um período de descanso, lazer e novas experiências para crianças e adolescentes. No entanto, a mudança na rotina costuma vir acompanhada de um aumento significativo no tempo dedicado às telas. Celulares, tablets, computadores e videogames passam a ocupar boa parte do dia e, quando utilizados sem limites, podem provocar impactos importantes não apenas na visão, mas também no desenvolvimento físico, emocional e cognitivo.
É fato que o uso prolongado de telas exige um esforço contínuo da visão. Ao permanecer por muito tempo olhando para celulares ou computadores, a frequência das piscadas diminui, reduzindo a lubrificação natural dos olhos e favorecendo o aparecimento de sintomas como ardência, coceira, vermelhidão, visão embaçada e dores de cabeça.
Segundo a oftalmologista Eridê Sousa Meneses (CRM: 2127), esses sinais merecem atenção, principalmente quando passam a fazer parte da rotina da criança. "O uso excessivo de telas na infância e na adolescência pode causar miopia precoce, fadiga ocular e ressecamento dos olhos. Além disso, olhar fixamente para as telas durante períodos prolongados reduz a lubrificação ocular, provocando ardência, coceira, vermelhidão, visão embaçada e dores de cabeça frequentes", explica.
A especialista destaca ainda que o hábito de utilizar o celular muito próximo aos olhos também favorece o desenvolvimento da miopia.
"O uso de telas pode contribuir para o aumento da miopia. Manter o celular muito próximo aos olhos favorece o alongamento do globo ocular, o que tem levado ao crescimento do número de casos da doença entre crianças e adolescentes", afirma.
A primeira infância exige cuidados ainda maiores. De acordo com a médica, o período entre zero e seis anos é o mais sensível aos efeitos do excesso de telas, sendo ainda mais crítico entre o nascimento e os três anos de idade, fase em que ocorre intenso desenvolvimento neurológico e visual.
A oftalmologista Eridê Sousa Meneses traz dicas indispensáveis de cuidados com a visão.
Unimed Teresina
Pequenas atitudes fazem diferença
Embora a tecnologia faça parte da infância contemporânea e ofereça inúmeras possibilidades de aprendizado e entretenimento, o desafio está em encontrar o equilíbrio. Quando as telas substituem brincadeiras ao ar livre, atividades físicas, momentos em família e até mesmo as horas de sono, os prejuízos podem aparecer de forma gradual e, muitas vezes, passar despercebidos pelos pais.
A boa notícia é que proteger a visão das crianças não significa eliminar completamente a tecnologia da rotina. O caminho está no uso consciente e na construção de hábitos saudáveis dentro de casa.
Uma das orientações mais importantes é respeitar a chamada regra 20-20. A cada 20 minutos utilizando uma tela, a criança deve interromper a atividade por 20 segundos e direcionar o olhar para um ponto distante, para além de seis metros. A medida ajuda a reduzir o esforço visual e a relaxar a musculatura dos olhos.
Também é importante manter uma distância aproximada de 40 centímetros entre os olhos e o celular, além de ajustar o brilho da tela de acordo com a iluminação do ambiente. Embora utilizar aparelhos no escuro não provoque danos permanentes à visão, essa prática aumenta o esforço ocular e favorece a fadiga visual.
Outra recomendação é estimular atividades fora do ambiente digital. Brincadeiras ao ar livre, esportes, leitura, jogos de tabuleiro e momentos de convivência familiar ajudam a reduzir naturalmente o tempo de exposição às telas e ainda favorecem o desenvolvimento físico, emocional e social das crianças.
Para a oftalmologista Eridê Sousa Meneses, os pais exercem papel decisivo nesse processo. "A tecnologia faz parte da vida das crianças e não precisa ser eliminada. O mais importante é que os responsáveis estabeleçam limites claros para proteger o neurodesenvolvimento dos filhos. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, o ideal é que crianças de até dois anos não tenham acesso às telas. A partir dessa idade, o tempo de uso não deve ultrapassar uma hora por dia", orienta.
Além dos cuidados diários, a especialista lembra que o acompanhamento médico também é essencial. O exame oftalmológico deve ser realizado sempre que os pais perceberem qualquer alteração na visão dos filhos. Para crianças em idade escolar, a recomendação é manter consultas anuais, enquanto os cuidados com a saúde ocular começam logo após o nascimento, com a realização do Teste do Olhinho.
Mais do que controlar o tempo de tela, o período das férias pode ser uma oportunidade para fortalecer vínculos familiares, incentivar novas descobertas e construir uma relação mais saudável com a tecnologia. Com diálogo, rotina equilibrada e acompanhamento dos responsáveis, é possível aproveitar os benefícios do ambiente digital sem abrir mão da saúde, do bem-estar e do desenvolvimento infantil.





