O que é o El Niño e como ele pode afetar o seu dia a dia
O interior de São Paulo não está imune ao chamado super El Niño, apesar da região não sofrer com impactos tão severos como os esperados no Norte, Nordeste e Sul do Brasil. Cidades paulistas deverão ter ondas de calor mais intensas e frequentes, além de chuvas irregulares.
Entenda como o fenômeno climático pode interferir na produção e no mercado em diferentes setores da agricultura para Piracicaba (SP) e região, segundo análises de especialistas consultados pelo g1.
Em vez de um padrão fixo e previsível, como a seca na Amazônia ou as inundações no Sul, o interior de São Paulo é marcado por forte oscilação climática e eventos extremos.
🌊O El Niño é caracterizado pelo aquecimento fora do normal das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial. Esse aquecimento altera a circulação dos ventos e muda os padrões de chuva e temperatura em várias partes do planeta.
Depois de bater recorde de menor temperatura do ano, Piracicaba alcançou 30ºC em pleno inverno
Claudia Assencio/g1
Agricultura da região de Piracicaba
Com a tendência de ocorrências de chuvas e temperaturas acima da média, a produção de cana-de-açúcar na região de Piracicaba (SP) deve se beneficiar.
São Paulo, destaca o climatologista, está exposto “simultaneamente à possibilidade de ser alcançado por períodos prolongados de seca e altas temperaturas do ar”, bem como tempestades que podem causar enxurradas, inundações e alagamentos.
Produtores de hortaliças perdem produção após temporais em Piracicaba
Edijan Del Santo/EPTV
O climatologista Paulo Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e membro do Comitê Científico Conjunto do Programa Mundial de Pesquisa Climática (WCRP-JSC), afirma que o aumento global da temperatura do ar, do mar e dos continentes intensifica a instabilidade atmosférica em todo o planeta.
“Isso significa que as perturbações atmosféricas se tornam mais intensas e frequentes sobre todos os continentes. O interior paulista não é exceção. Com o evoluir do corrente evento El Niño-Oscilação Sul, com razão denominado de Super El Niño, as cidades e o campo das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil devem se preparar para a ocorrência de precipitações intensas e ondas de calor”, alerta.
O especialista aponta que a sobreposição com o El Niño potencializa os extremos climáticos.
“Como ocorrido durante o mesmo fenômeno em 2024, com secas extremas na Amazônia e precipitações pluviométricas muito intensas em estados como o Rio Grande do Sul e São Paulo”, disse.
El Niño em São Paulo: ‘difícil de prever’
Em meio às incertezas sobre o impacto do El Niño no estado de São Paulo, o pesquisador Marcelo Seluchi, coordenador do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), alerta que o fenômeno se manifesta na região por meio de sistemas extremos de difícil previsibilidade. Por isso, ressalta o cientista, é preciso estar sempre preparado.
Ao contrário do Norte, fortemente atingido pela seca, e do Sul, mais vulnerável a inundações, São Paulo não possui um padrão fixo de chuvas sob a influência do El Niño, alternando em seu histórico tanto períodos de fortes cheias quanto de secas severas.
Seluchi, em concordância com os demais especialistas entrevistados pelo g1, também indica que o efeito mais consistente e preocupante no interior de São Paulo é o aumento na frequência das ondas de calor, fator que intensifica a evaporação e eleva significativamente a pressão sobre os recursos hídricos e o sistema elétrico.
Quando o El Niño deve chegar?
Carlos Afonso Nobre, pesquisador do Cemaden e professor no MBA Internacional em Emergências Climáticas: Sociedade, Cidades e Florestas da Esalq-USP, destaca que as previsões dos órgãos científicos em todo o mundo apontam que o El Niño alcançará o pico a partir de setembro de 2026.
“A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) nos Estados Unidos, na Europa o ECMWF, a Organização Meteorológica Mundial, e aqui no Brasil o Inpe e o Cemaden, todos estão prevendo que esse El Niño vai atingir uma força muito grande, talvez um dos mais fortes dos últimos 100 anos", afirmou.





