O governo de São Paulo estuda manter com a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) a operação da Linha 10-Turquesa e da futura Linha 14-Ônix em um eventual contrato de Parceria Público-Privada. A proposta analisada pelo governo, segundo fontes ouvidas pelo Metrópoles, é de que a empresa vencedora do contrato de 30 anos faça a manutenção e realização de obras das linhas, mas que a empresa estatal mantenha o comando operacional.
As duas linhas fazem parte do Lote ABC Guarulhos de Trens Urbanos. O projeto já foi qualificado, passou pelo processo de audiências públicas e a expectativa é de que o edital seja lançado no 1º semestre de 2027.
A futura Linha 14-Ônix deve atender a zona leste de São Paulo, conectando Guarulhos aos municípios do ABC, na região metropolitana. Já a 10-Turquesa, que faz a ligação da capital paulista com o Grande ABC, também fará parte do projeto do Trem Intercidades que vai conectar a região metropolitana ao litoral paulista. Ela também conta com a operação do Expresso ABC, e dos expressos turísticos Paranapiacaba e Mogi.
Atualmente, a Linha 10-Turquesa é a única não privatizada, que segue sendo operada diretamente pelo estado, por meio da CPTM. O formato de concessão estudado permitiria que a linha recebesse o aporte para atualizações de infraestrutura e interoperabilidade com as linhas 7, 8, 9, 11, 12 e 13 — que foram concedidas à iniciativa privada —, mas seguindo com a operação da estatal.
Na última terça-feira (21/7), a Trivia Trens assumiu em definitivo a operação das linhas 11-Coral, 12-Safira, 13-Jade e o Expresso Aeroporto. O contrato de concessão assinado pela empresa tem duração de 25 anos e prevê R$ 14,3 bilhões de investimentos por parte da empresa.
Desde então, a concessionária acumulou seis falhas de funcionamento nos dois primeiros dias de gestão. As linhas mais afetadas foram 11-Coral e 12-Safira.
Por causa de um incêndio em um trem, a operação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade foi interrompida na quinta-feira (23/7). Os passageiros precisaram desembarcar e caminhar sobre os trilhos na região da estação Tatuapé, no meio da escuridão.
Após os problemas, a Artesp determinou que a CPTM voltará a atuar por até 90 dias em conjunto com a Trivia Trens após os três dias seguidos de falhas.
O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) também pediu explicações ao governo paulista e à Trivia Trens S.A. sobre as falhas ocorridas na semana passada.
Entre as informações solicitadas pelo TCE-SP estão o acionamento e a eficácia do plano de contingências diante das ocorrências; o plano de transição anterior ao início da operação não assistida, e a forma como foi processado o atestado de condições de infraestrutura.
Na última sexta-feira (24/7) a CPTM descartou a possibilidade de sabotagem levantada pelo ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo e pré-candidato a deputado federal Guilherme Derrite (PP) de que os próprios funcionários da estatal estariam envolvidos no incêndio. Uma investigação ainda será feita para identificar as causas das falhas e do incêndio.
Rompimento de contrato
Após os incidentes nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) disse que não irá hesitar em romper o contrato com a Trivia Trens, caso a concessionária não cumpra o previsto em contrato. O incêndio em um trem operado pela empresa interrompeu o funcionamento das três linhas férreas e fez com que passageiros caminhassem sobre os trilhos na região da estação Tatuapé, na zona leste de São Paulo, após desembarcarem em meio à escuridão.
“Se a empresa não conseguir cumprir aquilo que está previsto no contrato, ela vai ter sanções e a gente também não vai hesitar em algum momento de tirar a empresa do contrato e aplicar uma caducidade”, afirmou o governador de São Paulo, após participar do 14º Encontro de Produtores Rurais, em Ourinhos, no interior do estado.
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O governador também chamou de “inaceitável” o incêndio desta quinta e disse que irá investigar o que teria causado as falhas dos últimos dias. Por outro lado, afirmou que os entraves não surgiram apenas depois de a Trivia Trens assumir a operação, mas sim são resultado da falta de investimentos.
“Não é um problema que começou há três dias, é um problema de muito tempo. Não era uma maravilha de linha até ontem ou anteontem e passou a ser uma linha muito ruim a partir de hoje”, disse.
Trivia Trens comenta decisão da Artesp
Em nota, a concessionária Trivia Trens pediu desculpas pelos transtornos provocados aos passageiros e afirmou sempre ter cumprido todas as suas obrigações contratuais “de forma estruturada, transparente e cooperativa”. “A concessionária reafirma seu compromisso em investigar profundamente as causas técnicas que levaram às ocorrências e impactaram tantas pessoas nos seus deslocamentos”. disse ainda.
Leia a nota completa na íntegra:
“A Trivia Trens, concessionária responsável pela operação das Linhas 11-Coral, 12-Safira, 13-Jade e do Expresso Aeroporto lamenta sobre a ocorrência registrada na data de hoje, que afetou uma composição entre as estações Tatuapé e Brás, e se desculpa pelos transtornos vividos por seus passageiros.
Durante toda a ocorrência de hoje, a concessionária teve como prioridade a segurança e integridade física dos passageiros e atuação precisa em debelar o foco de incêndio ocorrido, para que os danos não fossem maiores. O restabelecimento do serviço foi realizado com a maior celeridade possível e todos os recursos necessários foram empenhados prontamente.
A concessionária reafirma seu compromisso em investigar profundamente as causas técnicas que levaram às ocorrências e impactaram tantas pessoas nos seus deslocamentos.
A Trivia Trens reitera que sempre cumpriu com todas as suas obrigações contratuais em todas as fases de transição dos serviços concedidos até a presente data, de forma estruturada, transparente e cooperativa.
Este é o momento de somar esforços em favor dos passageiros, por isso, entendemos que o trabalho conjunto entre todos os agentes envolvidos fortalece a segurança operacional, a previsibilidade do sistema e a qualidade do serviço prestado à população”.
Alvo de críticas
Principal bandeira de Tarcísio de Freitas, a concessão de serviços públicos à iniciativa privada tem se tornado uma verdadeira “pedra no sapato” do governador, às vésperas do lançamento da candidatura à reeleição. A atuação de empresas privadas em São Paulo se tornou alvo de críticas reiteradas de adversários políticos.
Na tarde de quinta (23/7), Fernando Haddad comentou o incêndio no trem da Trivia e afirmou que era resultado da “falta de gestão do governo Tarcísio”. O petista também afirmou que deve revisar contratos firmados por Tarcísio de Freitas, caso seja eleito.
Tarcísio foi ministro dos Transportes no governo Bolsonaro. Quando assumi o Ministério da Fazenda, eu e o ministro Renan Filho tivemos de rever, com acompanhamento do Tribunal de Contas, contratos assinados por ele que traziam prejuízo ao Tesouro Nacional.
Em SP, vou fazer a…
— Fernando Haddad (@Haddad_Fernando) July 23, 2026
“Vou analisar o contrato da Sabesp, o contrato do Centro Administrativo e os contratos da CPTM, que vêm apresentando tantos problemas depois da privatização”. escreveu o ex-ministro da Fazenda em publicação no X (antigo Twitter).
Fogo em trem
Imagens obtidas pelo Metrópoles mostram o momento em que um incêndio atingiu um trem da Linha 12. O vídeo mostra o vagão lotado e, do lado de fora, é possível observar uma série de clarões e faíscas antes de as chamas atingirem a parte interna do vagão.
Policiais militares precisaram ajudar os passageiros a caminhar sobre os trilhos e auxiliaram no resgate dos usuários. Imagens das câmeras corporais dos agentes mostram os passageiros pularem um muro que cerca a Linha 12-Safira para deixarem a linha férrea.





