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Câncer pode voltar após a remissão: médico explica caso de Preta Gil

O segundo episódio do documentário Preta – Eu Não Ando Só vai ao ar nesta segunda-feira (27/7), um ano após a morte da cantora. Um dos momentos mais marcantes da produção mostra quando ela descobre que o câncer colorretal havia voltado após um período de remissão. A cena levanta uma dúvida comum: como a doença pode retornar mesmo depois de exames indicarem que ela não estava mais presente?

De acordo com o especialista, estar em remissão significa que os exames disponíveis não identificam sinais ativos do câncer naquele momento. Isso, porém, não elimina completamente a possibilidade de a doença retornar.

“Algumas células tumorais podem permanecer no organismo em quantidade microscópica, invisível aos exames. Por isso, mesmo depois de um tratamento bem-sucedido, o paciente precisa continuar sendo acompanhado. A remissão é uma excelente notícia, mas não significa risco zero de a doença voltar”, explica Dannilo Silveira.

O diagnóstico médico com rapidez é muito importante no tratamento de câncer
Segundo o médico, a recidiva acontece quando algumas células tumorais permanecem no organismo e, com o tempo, voltam a se multiplicar. “Isso não significa necessariamente que o tratamento tenha sido inadequado ou que o paciente tenha feito algo errado. O câncer tem uma biologia complexa”, afirma.
O que aumenta o risco de o câncer voltar?

O principal fator associado à recidiva é o estágio em que o câncer foi diagnosticado. “Quanto mais avançado o câncer, geralmente maior o risco de recidiva”, afirma Dannilo.
Segundo o coloproctologista, os primeiros dois a três anos após o tratamento concentram boa parte das recidivas. Por isso, nesse período, o acompanhamento costuma ser mais intenso, com consultas, exames de sangue, exames de imagem e colonoscopia.

“O acompanhamento não deve ser abandonado após cinco anos. Além de existirem recidivas tardias, o paciente também pode desenvolver um novo tumor”, alerta.

O acompanhamento não deve ser abandonado após cinco anos da remissão da doença
Quais sinais podem indicar uma recidiva?
Nem sempre a recidiva provoca sintomas. Em muitos casos, ela é identificada apenas durante os exames de acompanhamento. Quando presentes, os sinais da recidiva podem incluir sangramento nas fezes, alteração persistente do hábito intestinal, dor abdominal, perda de peso sem explicação, anemia e cansaço importante.
“Esses sintomas podem ter várias causas e não significam necessariamente que o câncer voltou. Mas, em quem já teve câncer colorretal, qualquer sintoma novo e persistente deve ser investigado”, reforça o médico.
No caso de Preta Gil, a recidiva foi identificada já com metástases, ou seja, quando o câncer havia se disseminado para outros órgãos. Segundo Dannilo Silveira, esse é um quadro mais complexo, mas que não significa ausência de tratamento.
O sangramento pelo reto ou sangue nas fezes pode ser um dos primeiros sinais do câncer colorretal
“Dependendo da localização e da quantidade de metástases, podemos utilizar cirurgia, tratamentos locais, quimioterapia, imunoterapia e terapias-alvo. Hoje também analisamos cada vez mais as características moleculares do tumor, pois elas podem indicar tratamentos específicos. O câncer colorretal metastático pode, em muitos casos, ser controlado por longos períodos”, explica.
O especialista acrescenta que comunicar uma recidiva está entre os momentos mais delicados da prática médica. “Eu procuro ser claro e cuidadoso. Explico o que os exames mostram, onde está a doença e quais são as possibilidades de tratamento. É preciso ser realista, mas sem retirar a esperança. O objetivo é mostrar ao paciente quais são os caminhos possíveis e construir, junto com ele, o melhor plano de tratamento”, ressalta Dannilo Silveira.
É possível reduzir o risco de o câncer voltar?
Embora não exista uma forma de impedir completamente que o câncer volte, manter o acompanhamento médico e adotar hábitos saudáveis pode contribuir para reduzir o risco em alguns pacientes.
“A primeira atitude é manter o acompanhamento médico e realizar os exames recomendados. Também é importante praticar atividade física, evitar o cigarro, limitar o consumo de álcool, manter um peso saudável e ter uma alimentação equilibrada, rica em alimentos naturais, frutas, verduras, legumes e fibras”, orienta.
Uma alimentação saudável é um aliado na prevenção de doenças
O médico ressalta que hábitos saudáveis complementam, mas não substituem o tratamento. “O melhor resultado vem da combinação entre tratamento adequado, acompanhamento regular e um estilo de vida saudável&#8220. esclarece.
Para Dannilo Silveira, a principal mensagem é que identificar o câncer precocemente amplia as chances de um tratamento adequado e curativo. “Quanto mais cedo identificamos o câncer colorretal, maiores são as possibilidades de realizar um tratamento adequado e curativo. Não ignore os sinais do seu corpo. O diagnóstico precoce pode mudar completamente a história da doença&#8221. conclui.
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