Maranguape, no Ceará, teve segundo homicídio registrado em 2026 com morte neste sábado (25)
Prefeitura de Maranguape/Divulgação
Um homem de 33 anos foi assassinado a tiros na noite deste sábado (25), no bairro Novo Parque Iracema, em Maranguape. Apesar de a cidade ter aparecido por dois anos seguidos como a mais violenta do Brasil, este foi o segundo homicídio registrado no município em 2026.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social, o homem morreu após ser atingido por disparos de arma de fogo em via pública. A identidade da vítima não foi divulgada, e o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa investiga o caso.
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Antes disso, o último homicídio registrado em Maranguape havia ocorrido no dia 28 de janeiro, quando um homem foi assassinado no bairro Tabatinga.
A cidade, situada na Região Metropolitana de Fortaleza, liderou o ranking de municípios mais violentos do Brasil por dois anos consecutivos, conforme levantamentos do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Os dados são referentes aos homicídios de 2024 e 2025.
Dois anos no ranking
Anuário da Segurança: feminicídios batem recorde, taxa de assassinatos é a menor desde 2012
Nesta quinta-feira (23), o levantamento mais recente trouxe detalhes sobre os crimes registrados em 2025, trazendo mais uma vez Maranguape no topo da lista das cidades mais letais do país.
Em 2025, o município de 108 mil habitantes registrou 106 homicídios ao todo, conforme dados da Secretaria de Segurança Pública do Ceará (SSPDS). A cidade também teve 3 mortes por intervenção policial.
Com isso, ficou com uma taxa de homicídios de 100,3 mortes a cada 100 mil habitantes — a única do Brasil com a taxa acima de 100 mil.
🔎 São classificadas como mortes violentas intencionais: homicídios dolosos (com intenção de matar), feminicídios, latrocínios (roubos seguidos de morte), lesões corporais seguidas de morte e mortes cometidas por policiais.
📍 Mas o que explica o alto índice em Maranguape? A resposta está em uma soma da disputa territorial entre facções e um "dilema das taxas" causado pelas proporções, conforme explicou ao g1 o diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio Lima.
Em nota, a SSPDS ressaltou a redução da violência nas cidades cearenses citadas pelo estudo, que também teve Maracanaú e Caucaia no ranking.
Conforme a pasta, Maranguape teve uma diminuição de mortes por crimes violentos de 97,4% no primeiro semestre de 2026. No mesmo período do ano passado, este número foi de 39 homicídios.
Também na quinta-feira (23), a Prefeitura de Maranguape emitiu nota afirmando que "o ranking divulgado é fruto de uma metodologia enviesada, que não reflete realidade geral, pois omite dados fundamentais para uma análise estatística mais justa". Maior taxa do país nos anos anteriores
Entre os dez municípios mais violentos do Brasil, Maranguape é aquele com a menor população no ranking. Em 2025, foram 106 homicídios em uma população de cerca de 108 mil habitantes.
Porém, proporcionalmente, devido ao tamanho da população e ao total de homicídios, a cidade acaba tendo a maior taxa do país.
"Se você pensar proporcionalmente à população, a taxa é essa. Estatisticamente, ela [a de Maranguape] é a maior. Foi a maior em 2025. Mas, se você pensar em termos de volume absoluto, se você pensar em volume de mortes, Rio de Janeiro e São Paulo têm muito mais mortes", explicou o pesquisador Renato Sérgio Lima.
Ele ponderou que, justamente pela população menor, a violência se faz sentir com maior força no município.
"Um problema em Maranguape se mostra muito mais agudo do que um problema em Fortaleza, que é maior, que, eventualmente, a população de um bairro não vai perceber o que está acontecendo em outro bairro. E, como Maranguape é pequeno, então acaba tendo esse efeito", avalia.
Ainda conforme o levantamento do Anuário, a escalada da violência em Maranguape é efeito das disputas territoriais entre as facções criminosas.
"O município possui o atrativo aos grupos criminosos pela proximidade com rodovias importantes para a região, como a CE-065 e a BR-222, rodovias que se apresentam como importantes corredores logísticos para o tráfico de drogas", afirma o estudo.
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