'Ninguém vai nos derrotar com base em mentiras', diz Lula em artigo no Washington Post
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, em artigo publicado no jornal norte-americano "The Washington Post" neste domingo (26), que o governo não vai aceitar tentativas de usar a relação econômica entre Brasil e Estados Unidos para pressionar o país por motivos políticos ou influenciar as eleições.
"Tentativas de impor amarras ideológicas à parceria bilateral, ou de instrumentalizá-la para fins eleitorais, não se sustentam. Nunca antes um secretário de Estado norte-americano havia qualificado o Brasil como um país não-amigo. Ninguém vai nos derrotar com base em mentiras", escreveu o petista.
O texto foi publicado após o Itamaraty negar um pedido de visto solicitado por dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos que, segundo o governo brasileiro, viriam ao país para questionar a integridade e a confiabilidade do sistema eleitoral.
Departamento de Estado norte-americano, no entanto, negou que eles tivessem o objetivo de interferir nas eleições.
Itamaraty nega vistos a funcionários dos EUA e alega intervenção nas eleições
🔎O jornal "Washington Post" foi o primeiro a revelar os planos dos dois funcionários do Departamento de Estado americano de viajar ao Brasil. A reportagem afirmava que, segundo autoridades americanas e brasileiras, os representantes do governo de Donald Trump viriam para levantar dúvidas sobre a integridade do sistema de votação.
➡️O novo "tarifaço" dos Estados Unidos sobre produtos do Brasil soma uma sobretaxa total que pode chegar a 37,5%, combinando uma taxa de 25% e outra de 12,5%. As medidas geram impactos diretos na economia.
No artigo, Lula diz que as tarifas impostas a produtos brasileiros são um "erro estratégico", pois "prejudicam a economia dos Estados Unidos e a parceria com o Brasil". Segundo o petista, as importações brasileiras para o país caíram para o menor patamar desde 1997.
Ele ressalta que tentou negociar diretamente com Trump e que o governo brasileiro realizou dezenas de reuniões com representantes americanos. No entanto, mesmo após a apresentação de argumentos técnicos, os Estados Unidos decidiram manter as novas taxas.
Segundo o presidente, diversos setores da indústria americana dependem de insumos brasileiros e o aumento das tarifas tende a encarecer produtos para consumidores dos EUA.
"No médio prazo, essas tarifas vão levar à desorganização de cadeias produtivas que hoje se encontram densamente integradas e as empresas brasileiras vão substituir fornecedores norte-americanos por outros parceiros.
América Latina não precisa de vigilância e sanções
No artigo, Lula afirma ainda que a América Latina precisa de "parceiros confiáveis e previsíveis", e não de sanções econômicas ou demonstrações de força militar.
Segundo ele, em um momento em que os Estados Unidos restringem seu mercado, outros países passam a se apresentar como alternativas para ampliar investimentos e relações comerciais na região.
"Estamos prontos a continuar dialogando de maneira aberta e construtiva, como o relacionamento entre dois países como o Brasil e os Estados Unidos requer. Mas o destino do Brasil compete apenas aos brasileiros, sem interferência externa, nem subserviência", prosseguiu.





