Dia dos Avós: data em Juiz de Fora celebra histórias de inspiração e amor incondicional Aos 81 anos, Dalila Cruz mantém uma rotina cheia de atividades em Juiz de Fora: dirige pela cidade para buscar e levar os netos, nada, pratica yoga, planeja novas viagens e ainda reserva as quartas-feiras para visitar idosos em uma instituição de longa permanência.
Já Maria Inês Boechat, de 79 anos, prepara aulas em PowerPoint, acompanha as novidades da medicina, conversa com os netos por videochamada e dá aulas de anatomia.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp
No Dia dos Avós, comemorado neste domingo (26), as histórias de Dalila e Maria Inês mostram que não existe um único roteiro para envelhecer. Elas trabalham, estudam, praticam atividades físicas e ainda têm planos e sonhos.
'Eu não parei de fazer planos de vida' Moradora de Juiz de Fora, Dalila Cruz, de 81 anos, mantém uma rotina cheia de atividades
Arquivo Pessoal
Depois de anos em sala de aula como professora de português e inglês, Dalila passou a dedicar mais tempo a atividades que hoje fazem parte da rotina. Uma delas é a natação, que entrou na vida por recomendação médica para aliviar dores na coluna.
Mas ela foi além: participou da primeira competição aos 67 anos, na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). O esporte abriu caminhos para além das piscinas e levou a avó de quatro netos a conhecer lugares como Belém (PA) e o Uruguai.
"Eu não vou para a natação para ganhar medalha. O que eu ganho é saúde, amizade e conhecimento", disse.
Entre uma aula de yoga, uma ida ao cinema e uma viagem planejada, Dalila ainda assumiu uma função que virou motivo de brincadeira na família: a de 'Ubervó'. Quando os netos precisam de carona, ela mesma pega o carro e vai buscá-los.
"Como vivo sozinha, faço tudo do meu jeito. Levanto cedo, vou para a natação, para a yoga, faço compras, cuido da casa. Gosto de sair, de viajar, de encontrar minhas amigas. Sou livre", completou.
Dalila Cruz com os netos, que fazem parte da rotina da avó em Juiz de Fora Arquivo Pessoal
As maiores vitórias vão além das piscinas
Três anos atrás, Dalila recebeu o diagnóstico de câncer de mama. A cirurgia já estava marcada quando ela decidiu manter uma viagem para os Lençóis Maranhenses.
"O passeio já estava marcado e foi uma das melhores viagens da minha vida. Comemorei meus 79 anos lá. Todos os dias eram como se fossem meu aniversário", disse Dalila, que venceu a doença.
Às quartas-feiras, ainda troca a piscina pela Residência para Idosos Vila Viver, na Cidade Alta. Ali, leva fotografias, histórias e assuntos capazes de despertar lembranças e fazer a conversa fluir.
O cuidado faz parte de um projeto que ela mesma iniciou no local para trocar ideias com outros idosos e que pretende manter por muitos anos.
Dalila Cruz, de Juiz de Fora, já conquistou várias medalhas em competições de natação
Arquivo Pessoal
Continuar sempre Assim como Dalila, Maria Inês Boechat encontrou novas formas de seguir ativa e transformar a experiência acumulada em aprendizado.
"Enquanto eu sair animada para dar aula, está na hora de continuar". A frase é da médica e professora de medicina da Faculdade Suprema, de 79 anos. Mesmo após décadas de carreira, ela prepara aulas, participa dos treinamentos da instituição e acompanha as mudanças da área.
"O aluno não merece um professor desanimado", explicou.
A relação com os estudantes é uma das principais motivações para seguir na profissão. "Claro que ganhar uma grana é importante. Mas hoje eu trabalho muito pelas razões afetivas. Pelo carinho que recebo e pelo retorno que eles me dão. Sentir que ainda estou contribuindo para a formação deles é o que me move".
Maria Inês Boechat é professora de Anatomia na Faculdade Suprema em Juiz de Fora Arquivo Pessoal
Com o passar dos anos, Maria Inês reconhece as mudanças no corpo, mas prefere manter o olhar voltado para novas descobertas. "Às vezes eu fico mais cansada. O corpo sente primeiro. Mas minha cabeça está muito boa. A gente precisa continuar fazendo coisas novas".
Mudanças no decorrer do caminho A tecnologia também passou a fazer parte da rotina da professora.





