Hong Wang, de 35 anos, é a 3ª mulher a ganhar a Medalha Fields
Reprodução/Redes Sociais/ NYU
A matemática chinesa Hong Wang, de 35 anos, tornou-se a terceira mulher em nove décadas a receber a Medalha Fields, a honraria mais importante da área no mundo. O prêmio foi entregue na última quinta-feira (23), durante a abertura do Congresso Internacional de Matemáticos (ICM 2026), na Filadélfia, nos Estados Unidos.
Antes de Wang, apenas a iraniana Maryam Mirzakhani, em 2014, e a ucraniana Maryna Viazovska, em 2022, haviam conquistado esse reconhecimento.
"Momentos como este nunca pertencem a uma só pessoa. Eles são o ápice de anos de encontros casuais e de perguntas inesperadas que te levam na direção certa", afirmou a pesquisadora à Universidade de Nova York.
Quem é Hong Wang e qual sua contribuição?
Professora resolveu desafios matemáticos historicamente considerados 'sem solução'
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Graduada pela Universidade de Pequim e com doutorado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), Wang é professora titular do Courant Institute, na NYU, e pesquisadora no Institut des Hautes Études Scientifiques (IHÉS), na França.
Seu trabalho é focado em áreas complexas como a análise harmônica e a teoria geométrica da medida.
➡️O principal divisor de águas de sua carreira foi a resolução do Problema de Kakeya em três dimensões, uma questão formulada pelo matemático japonês Sōichi Kakeya em 1917 e que desafiava cientistas há mais de um século.
A pergunta original buscava entender qual é a menor área necessária para girar uma agulha em 180 graus em um plano. Em trabalho conjunto com o pesquisador Joshua Zahl, Wang demonstrou limites estruturais para esses conjuntos no espaço tridimensional — algo classificado pelo medalhista Fields Terence Tao como um "avanço espetacular".
A matemática também foi reconhecida por desenvolver técnicas inovadoras — chamadas de multiescala e de desacoplamento — que permitiram avanços em outros problemas clássicos:
Conjectura do alisamento local da equação das ondas planas, com colaboração com outros pesquisadores — estudo sobre como ondas (como luz ou som) se comportam e se "suavizam" ao se espalharem no tempo;
Teoria de restrição de Fourier e conjuntos de Falconer e Furstenberg — técnicas que permitem calcular dimensões de estruturas fragmentadas ou "infinitas" (os fractais), essenciais para proteger dados digitais na criptografia e otimizar processamento de computadores.
Segundo os organizadores do prêmio, os métodos introduzidos por Wang tornaram-se centrais para a análise harmônica contemporânea.
🧮Na matemática, a análise harmônica é a ferramenta usada para decompor fenômenos complexos em partes mais simples — da mesma forma que o ouvido humano separa os instrumentos de uma música ou um programa de computador processa os pixels de uma foto. As novas fórmulas criadas por Wang funcionam como uma "lente" mais precisa para enxergar e resolver esses padrões em várias áreas da ciência.
O que é a Medalha Fields?
Considerada o "Nobel da Matemática", a Medalha Fields é concedida a cada quatro anos pela União Internacional de Matemática (IMU). Diferentemente do Nobel tradicional, ela possui uma restrição de idade: os laureados devem ter até 40 anos de idade no ano da premiação. O objetivo é reconhecer contribuições excepcionais e incentivar novos avanços na área.
O Brasil já teve um representante no topo do pódio: em 2014, o pesquisador do IMPA Artur Avila tornou-se o primeiro brasileiro e latino-americano a conquistar a medalha.
Os outros vencedores de 2026
Além de Hong Wang, outros três matemáticos foram laureados nesta edição:
Yu Deng (China): Professor da Universidade de Chicago, premiado por suas contribuições às equações diferenciais parciais e à dinâmica de gases.
Jacob Tsimerman (Canadá): Pesquisador da Universidade de Toronto, reconhecido por transformar métodos da geometria aritmética e algébrica.
John Pardon (Estados Unidos): Pesquisador do Centro Simons de Geometria e Física, contemplado por avanços na chamada geometria simplética e na topologia.
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