Em busca de palanques fortes nas eleições deste ano, o Partido dos Trabalhadores e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiram abrir mão da cabeça de chapa na metade dos estados do país para compor com nomes mais competitivos.
Dentre os pré-candidatos a presidente, apenas Lula já conseguiu fechar palanques em todas as unidades da Federação. No entanto, o PT só vai ter o candidato a governador em 12 estados e no Distrito Federal.
Confira os nomes:
Candidatos do PT nas eleições de 2026
No resto do país, Lula decidiu apoiar partidos aliados — e até mesmo siglas que não vão compor com o petista na eleição presidencial.
Em cinco estados, o PT decidiu apoiar o PSD, do pré-candidato a presidente Ronaldo Caiado. As parcerias serão nos estados do Mato Grosso, Sergipe, Amazonas, Tocantins e Rio de Janeiro.
Em dois estados (Alagoas e Pará), o partido vai apoiar o MDB, que liberou os diretórios estaduais para decidirem qual candidato apoiar ao Planalto.
Na Paraíba, a sigla de Lula vai apoiar o nome do PP, e no Amapá, o União Brasil. Os dois partidos formam a Federação União Progressista, que nesta semana decidiu se manter neutra na disputa presidencial deste ano.
Em abril, ao comentar as estratégias do PT para fechar os palanques estaduais, Lula destacou a importância de compor com partidos fora do campo progressista.
“Não se faz composição apenas com quem você gosta. Quem você gosta já está com você. Você tem que fazer composição com as pessoas que pensam diferente, mas que são capazes de construir minimamente um projeto para um estado o para o país”. disse.
Na esquerda, o PT ainda vai apoiar candidatos do PDT em dois estados (Rio Grande do Sul e Paraná) e do PSB em três (Santa Catarina, Pernambuco e Acre).
Mudança de estratégia
A decisão de ter menos petistas na disputa para governador rompe uma tradição dos primeiros anos do PT e dá continuidade a uma estratégia adotada nas últimas eleições.
Na década de 1990, a sigla costumava lançar uma grande quantidade de candidatos. Segundo dirigentes petistas ouvidos pela reportagem, o objetivo era reforçar a imagem do partido como oposição aos governos locais e tentar transformar o PT no principal grupo da esquerda — posto que até então era ocupado pelo PDT.
A estratégia sofreu um desvio em 2002. O partido acabou aderindo ao pragmatismo.
Para garantir palanques fortes para Lula, que apresentava chances reais de ser eleito presidente pela primeira vez, o PT lançou 10 candidatos e investiu em formar chapas com partidos como o PL, PP, PTB e o PMDB. A receita foi repetida nas eleições seguintes.
O PT só voltou a investir em um grande número de candidatos em 2014, com 17 postulantes a governador. Desde então, vem reduzindo o número a cada nova eleição.
O PT nas eleições para governador 2022: 13 candidatos e 4 vitórias
2018: 16 candidatos e 4 vitórias;
2014: 17 candidatos e 5 vitórias
2010: 10 candidatos e 4 vitórias;
2006: 11 candidatos e 5 vitórias;
2002: 10 candidatos e 3 vitórias;
1998: 16 candidatos e 3 vitórias;
1994: 19 candidatos e 2 vitórias;
1990: 16 candidatos e nenhuma vitória.
A tática para 2026, segundo dirigentes petistas ouvidos pela reportagem, é manter os governos já conquistados, reeleger Lula e aumentar o número de senadores e deputados governistas.
Nomes competitivos vão disputar o Senado
Com 54 cadeiras do Senado Federal em disputa, Lula optou por abrir mão de petistas na cabeça de chapa para focar na Casa Alta. Dirigentes petistas estimam que será necessário eleger entre 25 e 30 senadores governistas para “facilitar a vida de Lula” em um eventual quarto mandato.
O presidente do PT, Edinho Silva, principal articulador dos palanques estaduais, destacou que a disputa do Senado é o “grande desafio” da eleição. “Para o bem da democracia brasileira, é fundamental que a gente faça maioria no Senado e impeça que esse pensamento autoritário eleja a maioria dos senadores nas eleições de 26”, afirmou.
Por isso, Lula pediu pessoalmente que então ministros do governo disputassem uma cadeira na Casa Alta. Nove deles aceitaram a missão, como Marina Silva (Psol), Simone Tebet (PSB), Gleisi Hoffmann (PT).
O único membro do alto escalão do governo Lula a disputar o cargo de governador será Renan Filho (MDB), ex-ministro dos Transportes, que vai tentar o governo de Alagoas.





